quarta-feira, maio 6, 2026
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Desabastecimento de Ciclofosfamida: Brasil enfrenta crise no tratamento de câncer e doenças autoimunes com previsão de normalização apenas em 2026

Crise no Fornecimento Afeta Pacientes Críticos

O Brasil atravessa um grave desabastecimento de ciclofosfamida, um medicamento crucial na lista de Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). A substância é vital no tratamento de pacientes com diversos tipos de câncer, como mama, leucemia e linfomas, além de ser indicada para doenças autoimunes graves e para a realização de transplantes. A escassez do produto tem gerado apreensão, com a expectativa de normalização do fornecimento apenas entre junho e julho de 2026.

Baxter Aponta Falha Técnica como Causa Principal

Atualmente, a Baxter é a única empresa autorizada a comercializar a ciclofosfamida no Brasil. Segundo a farmacêutica, uma interrupção técnica em sua unidade fabril reduziu a produção e a liberação do medicamento. Embora a fabricação tenha sido retomada, a capacidade produtiva está aquém da demanda nacional, resultando em um fornecimento limitado. A Baxter reconhece o impacto da escassez nos pacientes e afirma estar trabalhando com urgência para normalizar a produção.

Ações Emergenciais do Ministério da Saúde e Anvisa

Diante do cenário crítico, o Ministério da Saúde realizou a aquisição emergencial de 140 mil comprimidos de 50 mg e 80 mil frascos-ampolas de 1g de ciclofosfamida de fornecedores internacionais. Esses lotes serão distribuídos a centros de referência em todo o país a partir da próxima semana, com o objetivo de garantir a assistência integral aos pacientes. O Ministério também solicitou à Anvisa a priorização de análises de novos registros e a agilização de processos de importação excepcional. A Anvisa informou que há um pedido de registro de medicamento contendo ciclofosfamida em análise, da empresa Dr. Reddy’s, mas ainda não é possível estimar um prazo para conclusão.

Impacto na Comunidade Médica e no Acesso a Tratamentos

A falta de ciclofosfamida gera preocupação na comunidade médica. Luana Lima, da Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale), destaca que a indisponibilidade do medicamento, essencial para cerca de 50% dos transplantes haploidênticos realizados no Brasil, compromete a realização desses procedimentos e aumenta a pressão sobre o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários (REDOME). Mariana Bohns Michalowski, presidente da Sociedade Brasileira Oncologia Pediátrica (SOBOPE), alerta que a ausência da medicação pode levar a atrasos, adaptações terapêuticas e riscos à condução ideal do tratamento, especialmente em casos de leucemias e transplantes de células-tronco.

Busca por Alternativas e Flexibilização Regulatória

Embora existam alternativas terapêuticas, elas não substituem a ciclofosfamida universalmente e exigem avaliação individualizada. Renato Tavares, da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), ressalta que a falta do medicamento, que nunca ocorreu antes, levanta questionamentos sobre a gestão e a dependência de poucos fabricantes. Entidades médicas defendem a flexibilização excepcional da regulação e a priorização de novos produtos para evitar desabastecimentos recorrentes, buscando soluções imediatas e a diversificação de fornecedores.

Fonte: futurodasaude.com.br

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