Envelhecimento Populacional: Um Novo Cenário para a Saúde
O aumento da população idosa, com mais de 60 anos, tem impulsionado discussões cruciais sobre o futuro dos sistemas de saúde. O crescimento de casos de câncer, doenças crônicas e demências associado a essa transição demográfica exige uma reavaliação profunda da organização do cuidado e a construção de ecossistemas de saúde mais resilientes.
Healthspan vs. Lifespan: Vivendo Mais e Melhor
A ciência avança na compreensão do processo de envelhecimento, popularizando conceitos como idade biológica e cronológica. Paralelamente, pesquisas sobre Alzheimer e Parkinson ganham destaque, e a qualidade das relações sociais é cada vez mais reconhecida como um pilar fundamental para um envelhecimento saudável. O foco se desloca de apenas aumentar a expectativa de vida (lifespan) para garantir um período de vida com qualidade e funcionalidade (healthspan).
“Nossa visão sobre o envelhecimento enquanto sociedade mudou muito não apenas da perspectiva biológica, mas também social”, avalia Erika Satomi, geriatra e especialista em medicina paliativa do Einstein. “As terapias estão permitindo que a gente consiga viver muito mais tempo e com qualidade de vida.”
Contudo, um desafio persiste: viver mais nem sempre significa viver melhor, especialmente em países em desenvolvimento. A especialista em medicina do estilo de vida, Sley Guimarães, ressalta a importância de iniciar o cuidado com o estilo de vida precocemente. “Às vezes, quando você conversa com um paciente mais jovem da importância de cuidar do seu estilo de vida, ele não dá muita importância, porque parece que a diminuição de funcionalidade tá muito distante”, reflete Guimarães. “Temos que ter em mente que a conta um dia vai chegar, e que a forma como envelhecemos é também um reflexo de como a gente viveu a vida.”
Diagnóstico Precoce de Demências: Desafios e Avanços
O Brasil enfrenta um aumento expressivo no número de casos de demência, com projeções alarmantes para as próximas décadas. Embora novas terapias e descobertas de biomarcadores para doenças como Alzheimer representem avanços significativos, o diagnóstico precoce ainda é um obstáculo. Os desafios são múltiplos, abrangendo aspectos econômicos, científicos e culturais.
“O mundo inteiro está se debruçando sobre isso, para entender como podemos fazer essa detecção ainda mais precoce, mas tudo ainda é muito caro, desde diagnosticar até aplicar as medicações, que são injetáveis e exigem centros especializados e controle de efeitos colaterais que podem ser mais delicados”, explica Guimarães.
Saúde Social: Um Pilar Essencial para o Envelhecimento Pleno
Além da alimentação equilibrada e da prática de exercícios físicos, a saúde social emerge como um componente vital para um envelhecimento bem-sucedido. O isolamento social, um fator de risco conhecido para depressão e declínio cognitivo em idosos, foi evidenciado como um impacto negativo da pandemia. A promoção de vínculos sociais e comunitários torna-se, portanto, uma pauta relevante dentro e fora dos consultórios médicos.
“Percebemos que as famílias estão ficando mais isoladas, por uma série de motivos, que vão da distância física ao receio de ‘dar trabalho’ para os familiares”, pondera Satomi. “Acho que o poder público tem que olhar com muito carinho, porque quem fica mais isolado piora a cognição, tem muito mais depressão, fica muito mais inativo, então todos os fatores de risco cardiovasculares aumentam. É preciso criar e estimular o uso de espaços de convivência.”
Fonte: futurodasaude.com.br

