Críticas à Medida Provisória
O fim da taxação sobre compras internacionais, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, foi recebido com forte desaprovação por Moacir Drska, CEO da Riachuelo. Em entrevista, Drska classificou a medida como “muito ruim” e “totalmente arbitrária”, lamentando a falta de diálogo com o setor varejista. Segundo ele, a decisão do governo, tomada por meio de medida provisória, ignora a contribuição das empresas brasileiras que operam no país e recolhem altos impostos.
Desigualdade Tributária Ampliada
Drska detalha a disparidade tributária entre as empresas nacionais e as plataformas de comércio eletrônico que operam via cross-border. Enquanto um casaco da Riachuelo chega a ter um impacto de 80% a 90% em impostos (incluindo taxa de importação, PIS/COFINS e ICMS), as plataformas que antes pagavam 20% de imposto de importação e ICMS, com o fim da taxa, passaram a recolher apenas o ICMS, zerando a taxa de importação. “Existia uma assimetria tributária, que era de 40%, e agora chegou a 60%”, afirma o executivo, ressaltando que essa situação torna a indústria nacional menos competitiva.
Argumentos do Governo Questionados
O CEO da Riachuelo rebate o argumento do governo de que o fim da taxa democratizaria o consumo e ampliaria as opções para o consumidor. Para Drska, essa justificativa só seria válida se acompanhada de uma redução na carga tributária sobre as empresas brasileiras, como impostos sobre empregos e folha de pagamento. “O que não é razoável é dar para uma parte e não para outra”, pontua, defendendo um tratamento justo e igualitário para todos os setores. Ele argumenta que a medida incentiva indústrias estrangeiras em detrimento da produção local, o que prejudica a economia nacional.
Possíveis Demissões e Cross-border
Diante do cenário de maior competitividade para empresas estrangeiras, o CEO da Riachuelo não descarta medidas drásticas para a sobrevivência da empresa. “Se a gente chegar à conclusão que esta decisão de acabar com a taxa das blusinhas será mantida, vamos ter que começar a demitir pessoas. Não tem milagre”, declara. Drska também revela que a empresa estuda a possibilidade de operar via cross-border, instalando operações na Ásia para importar produtos em formato de pequenos pacotes, que pagam menos impostos. Contudo, ele ressalta que essa medida implicaria na desmobilização das operações no Brasil e, consequentemente, em mais demissões. Apesar das dificuldades, a Riachuelo se diz aberta ao diálogo com o governo para tentar reverter a decisão.
Fonte: neofeed.com.br

