A busca por um corpo em forma tem levado muitas pessoas a optarem por medicamentos injetáveis, como as chamadas canetas emagrecedoras, que atuam com base em hormônios da família GLP-1. No entanto, um efeito colateral tem preocupado usuários: a queda de cabelo. Especialistas apontam que a relação existe e é explicada por uma resposta do organismo à drástica redução de energia.
O mecanismo por trás da queda capilar
Quando o corpo detecta uma perda de peso muito rápida e uma consequente redução significativa de energia, ele pode entrar em um estado de “sobrevivência”. O organismo interpreta essa situação como uma “fome”, e diante dessa escassez, prioriza funções vitais. O ciclo capilar, por ser considerado uma estrutura menos essencial e mais frágil, é um dos primeiros a ser interrompido. “O corpo entende que está passando fome. O ciclo capilar é uma das estruturas mais frágeis e dispensáveis, então ele simplesmente para”, explica um especialista.
Estudos confirmam a ligação
A conexão entre o uso de medicamentos e a queda de cabelo não é apenas teórica. Estudos científicos têm investigado essa relação. Uma pesquisa realizada pela Universidade George Washington, nos Estados Unidos, analisou prontuários de quase 550 mil pacientes e observou um risco consideravelmente maior de queda capilar em usuários de agonistas de GLP-1, quando comparados a pacientes que utilizavam outras classes de medicamentos para diabetes. Outro estudo, publicado no British Medical Journal (BMJ) pela Universidade da Pensilvânia com 50 mil participantes, também apontou um risco real associado ao eflúvio telógeno, um tipo de queda de cabelo temporária.
A boa notícia: o cabelo pode voltar a crescer
Para quem está passando por essa situação, há esperança. O especialista garante que a queda de cabelo induzida por esses tratamentos é reversível. “Com o tratamento especializado e um acompanhamento adequado do paciente, a recuperação dos cabelos é total, mesmo com a continuidade do tratamento com as canetas”, afirma. Ele ressalta que o risco de queda é maior em casos onde há desequilíbrio nutricional, deficiência de nutrientes como ferro e baixa ingestão de proteínas. Por isso, a recomendação é que o emagrecimento ocorra de forma gradual, minimizando o choque metabólico no corpo.
Prevenção e diagnóstico
Para mitigar os riscos e garantir a saúde capilar durante o processo de emagrecimento, o acompanhamento médico é fundamental. O especialista enfatiza a importância de um “check-up laboratorial direcionado” e exames detalhados, como o uso de scanners de alta tecnologia que ampliam a imagem do couro cabeludo em até 30 mil vezes. “Eles são importantes para descartar doenças capilares pré-existentes, como diferentes formas de alopecia ou eflúvio crônico”, complementa. Esses procedimentos ajudam a identificar e tratar precocemente quaisquer condições que possam agravar a queda de cabelo, assegurando um emagrecimento mais saudável e seguro.
Fonte: viva.com.br

