quarta-feira, maio 6, 2026
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ANS Expande Uso de Inteligência Artificial para Melhorar Gestão e Vigilância no Setor de Saúde Suplementar

IA como Ferramenta Estratégica

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) planeja intensificar a adoção de ferramentas de inteligência artificial (IA) em suas operações. Segundo o presidente da agência, Wadih Damous, a tecnologia é vista como um instrumento estratégico essencial para aprimorar a governança interna, diminuir o volume de processos judiciais e elevar o nível técnico de seus colaboradores. Essa iniciativa, contudo, caminha lado a lado com um reforço na fiscalização sobre como as operadoras de planos de saúde utilizam a IA, visando coibir práticas que possam prejudicar os consumidores.

“A inteligência artificial, para nós, vai ser um instrumento estratégico imprescindível. Nós temos que viabilizar essa utilização. Estou muito ambicioso para isso e com a expectativa de conseguir concretizar. Mas ainda estamos em uma fase de planejamento e na busca de recursos”, declarou Damous ao portal Futuro da Saúde. Ele destacou o potencial da IA para monitorar a saúde dos beneficiários, gerar alertas precoces de problemas e apoiar ações de rastreamento e prevenção.

Riscos e Prevenção na Aplicação da IA

Apesar do otimismo quanto aos benefícios da IA, Damous alertou para os perigos inerentes à sua aplicação no setor. Ele ressaltou a necessidade de a ANS estar vigilante para que a tecnologia não perpetue ou agrave desigualdades existentes. Um dos principais receios é o uso de algoritmos preditivos para fins discriminatórios, como a seleção de clientes, o cancelamento de contratos ou o aumento de preços de forma direcionada com base em riscos identificados.

“A mesma capacidade preditiva que identifica o risco pode ser usada para criar barreiras financeiras, administrativas e assistenciais que inviabilizam o cuidado depois que o risco foi identificado. Pode transformar a previsão clínica em instrumento de exclusão e isso é uma negação da função social da saúde suplementar”, enfatizou o presidente. A preocupação é que a tecnologia, ao invés de promover o acesso à saúde, se torne um meio de exclusão.

Reorganização Regulatória e Novos Incentivos

Paralelamente à expansão do uso de IA, Damous abordou a necessidade de uma profunda reestruturação no modelo de regulação da saúde suplementar brasileira. Ele descreveu o cenário atual como uma “crise estrutural”, que exige mais do que ajustes conjunturais. A agência pretende focar na reorganização dos incentivos para operadoras e prestadores de serviços, migrando de um modelo centrado em procedimentos isolados para um que valorize a trajetória do paciente, a prevenção e a coordenação do cuidado, com maior ênfase na atenção primária.

“Esse é um tema que está sendo debatido. Inauguramos a agenda regulatória no início desse ano e essa é uma das questões postas. Ainda não temos sistematizado o que deve mudar, estamos analisando como operacionalizar as ideias, mas faço questão de fixar as direções em que estamos caminhando”, concluiu Damous, indicando um caminho de mudança profunda na forma como o setor é gerido e regulado.

Fonte: futurodasaude.com.br

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