Novo Acordo de GNL com o Canadá
O Canadá e a Alemanha selaram um acordo para a exportação de gás natural liquefeito (GNL), com o fornecimento previsto a partir de um terminal de exportação em desenvolvimento na costa do Pacífico canadense. O acordo, que será formalmente anunciado em breve, prevê a exportação de até 1 milhão de toneladas anuais de GNL para a empresa alemã SEFE — Securing Energy for Europe. Este movimento estratégico surge em um momento de crescente apreensão global devido à instabilidade geopolítica, especialmente com o desenrolar do conflito no Irã, que eleva os receios de novos choques energéticos para a maior economia europeia.
Contexto da Crise Energética Europeia
A Alemanha, que antes da guerra na Ucrânia era um dos maiores importadores de gás russo, tem buscado ativamente diversificar suas fontes de energia. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, Moscou reduziu drasticamente o fornecimento de gás natural para a Europa, desencadeando uma crise energética que impactou a inflação e a produção industrial. A nacionalização da SEFE pela Alemanha em 2022, que antes era subsidiária da Gazprom, reflete a urgência do país em garantir a segurança energética. As importações de GNL da Alemanha totalizaram 106 terawatts-hora em 2025, um volume que o novo acordo com o Canadá complementará, representando aproximadamente um oitavo do consumo do ano passado.
O Projeto Ksi Lisims e a Estratégia Canadense
O fornecimento de GNL canadense será viabilizado pelo projeto Ksi Lisims, localizado na ilha Pearse, na Colúmbia Britânica. Este terminal de exportação, avaliado em 10 bilhões de dólares canadenses (aproximadamente 6,6 bilhões de euros), já obteve as licenças necessárias, e o acordo com a SEFE é um passo crucial para a decisão final de investimento por parte do consórcio. O Primeiro-Ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, destacou a importância de acordos de compra de longo prazo para o avanço do projeto. O Canadá, rico em recursos energéticos, busca expandir seus mercados para além dos Estados Unidos, que atualmente absorvem quase a totalidade de suas exportações de petróleo e gás, alinhando-se com o objetivo do Primeiro-Ministro Mark Carney de duplicar o comércio com parceiros fora dos EUA na próxima década.
Impacto Econômico e Perspectivas Futuras
A instabilidade nos mercados de energia, exacerbada pela guerra no Irã, já impactou negativamente as perspectivas econômicas da Alemanha. O governo alemão reduziu sua previsão de crescimento para 2026 pela metade, para 0,5% do PIB, devido aos choques energéticos. Embora indicadores recentes apontem para uma economia alemã fraca em maio, com setores como indústria transformadora e serviços sob pressão, houve um aumento inesperado no Índice ifo de Clima Empresarial. O acordo de GNL com o Canadá representa um passo importante para fortalecer a resiliência energética da Alemanha e mitigar os riscos associados à volatilidade geopolítica global, garantindo um fluxo de energia mais estável para a indústria e os consumidores alemães.
Fonte: pt.euronews.com

