Oportunidade de Ouro com o Acordo UE-Mercosul
A entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia abre um leque de oportunidades para empresas brasileiras. Com um mercado combinado de mais de 718 milhões de consumidores e um PIB superior a US$ 22 trilhões, o tratado promete reduzir ou zerar tarifas de exportação, impulsionando a competitividade dos produtos sul-americanos no bloco europeu.
Neste cenário, empresas brasileiras que já operam no Paraguai, beneficiadas pela Lei de Maquila, encontram-se em posição de destaque. A legislação paraguaia oferece um pacote atrativo de benefícios fiscais, incluindo imposto único de exportação de 1% sobre o valor agregado, isenção total de impostos para importação de insumos e custos operacionais até 40% menores. Esses fatores, somados à mão de obra mais barata e estabilidade cambial, tornam o Paraguai um destino estratégico para fugir do chamado “Custo Brasil”.
Setores Estratégicos e o Vantagem Competitiva
Setores como o têxtil, calçadista e de iluminação, que já viram um número expressivo de empresas brasileiras migrarem para o Paraguai, são os mais beneficiados. Com tarifa zero imediata na União Europeia, essas indústrias ganham escala, margens mais altas e a capacidade de competir globalmente, inclusive com produtos asiáticos.
A Be8, empresa brasileira de biocombustíveis avançados com uma biorrefinaria em implantação no Paraguai, é um exemplo de como o acordo consolida a entrada no mercado europeu. Sua produção de HVO e SAF (combustível sustentável de aviação) tem a Europa como destino principal, e a empresa já demonstra o potencial de redução de emissões de CO2, atraindo a atenção da indústria de caminhões europeia.
Desafios na Preparação para o Mercado Europeu
Apesar do cenário promissor, muitas empresas brasileiras instaladas no Paraguai ainda não estão totalmente preparadas para a exportação para a Europa. O foco principal dessas operações tem sido o mercado brasileiro e sul-americano, com planos de expansão para a UE ainda em fase embrionária.
A Lupo, por exemplo, construiu uma planta no Paraguai com o objetivo de reduzir custos e aumentar a eficiência para o mercado brasileiro. O diretor superintendente da empresa afirma que, embora a ampliação das exportações faça parte da estratégia, a unidade paraguaia foi desenhada para reforçar a posição no Mercosul, com o mercado brasileiro como prioridade absoluta. A empresa já possui uma loja na Europa, em Portugal, mas a utilização da planta paraguaia como plataforma de exportação para o bloco ainda não é um plano imediato.
Entraves Logísticos e a Competição Asiática
A Lei de Maquila, embora vantajosa, não se aplica a todos os modelos de negócio. A Estrela, fabricante de brinquedos, tentou viabilizar uma operação no Paraguai, mas não obteve sucesso. Gabriel Burd, diretor da Condor, fabricante de utensílios de limpeza, aponta que as vantagens fiscais podem não compensar outros custos, como a logística. Para sua empresa, mesmo com impostos mais altos no Brasil, o custo logístico seria maior no Paraguai.
A competição com a indústria asiática é outro desafio significativo. Empresas chinesas e vietnamitas já estabeleceram um ecossistema voltado para exportação, e a Europa representa um ponto logístico estratégico para esses países. A capacidade de produzir a custos menores é um diferencial que exige planejamento cuidadoso e análise de médio prazo para empresas brasileiras que desejam competir nesse mercado.
Fonte: neofeed.com.br

