Rhodia sob pressão da concorrência asiática
A Rhodia, divisão brasileira da Solvay, está avaliando a possibilidade de paralisar um investimento de R$ 100 milhões em sua fábrica de Santo André (SP). A decisão, que será reavaliada no terceiro trimestre, é uma resposta direta ao avanço expressivo de produtos químicos importados da Ásia a preços significativamente mais baixos. Dos R$ 30 milhões já investidos no plano original, a empresa pode congelar o restante dos recursos devido à falta de ações governamentais para proteger o setor.
Crescimento alarmante das importações e falta de política industrial
Dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) revelam um crescimento de 75% nas importações de produtos químicos entre 2022 e 2024, com uma fatia impressionante de 153% originada da China. Segundo Daniela Manique, CEO da Solvay-Rhodia para a América Latina e presidente do conselho da Abiquim, o setor químico brasileiro opera desprotegido e carece de uma política industrial clara. Ela ressalta que, embora haja otimismo com diretrizes futuras como a Nova Indústria Brasil e o programa PresiQ a partir de 2027, os desafios imediatos são imensos e exigem ações urgentes.
Impacto no mercado e fechamento de unidade anterior
A competição desleal já levou a Rhodia a fechar uma unidade em Paulínia (SP) no início de 2024, que era a única na América Latina a produzir bisfenol, um componente essencial para policarbonatos e vidros blindados. Manique descreve as taxas de importação como “absurdas” e aponta para incentivos governamentais chineses que chegam a 36% para exportação, além de custos de produção significativamente menores, como o gás natural, onde a Rhodia paga sete vezes mais que nos Estados Unidos. A ociosidade da empresa no Brasil já atinge 30%, um índice considerado muito alto para o setor.
Custos brasileiros e o fim da “taxa das blusinhas”
A alta carga tributária no Brasil é outro fator que desfavorece a competitividade da Rhodia em comparação com outras unidades globais da Solvay. A executiva também expressa preocupação com o fim da isenção de impostos para compras internacionais de até US$ 50 (a chamada “taxa das blusinhas”). Essa medida, que beneficiava plataformas asiáticas, pode impactar indiretamente os clientes da área têxtil da Rhodia, levando a uma possível redução na demanda por poliamida, componente usado na fabricação de roupas.
Investimentos estratégicos e a importância da indústria local
Apesar dos desafios, a Rhodia mantém um investimento de € 40 milhões, com recursos da matriz, focado na redução da dependência de gás natural e no aumento da produtividade através do uso de biomassa. A iniciativa, com conclusão prevista para 2027, visa diminuir em muito a demanda por gás natural a partir de 2028. A crise no Estreito de Ormuz recentemente evidenciou a importância da produção local, com a China reduzindo exportações para garantir seu próprio abastecimento, o que gerou alertas sobre a possível falta de insumos essenciais como enxofre e fertilizantes no Brasil.
Fonte: neofeed.com.br

