GPA Garante Alívio Financeiro: Recuperação Extrajudicial Corta Dívida de R$ 4,5 Bilhões pela Metade e Alonga Prazos
Com adesão de 57% dos credores não operacionais, rede varejista reestrutura passivo, reduz desembolsos e foca em melhorias operacionais e experiência do cliente.
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) obteve um respiro financeiro significativo com a aprovação de seu plano de recuperação extrajudicial, que contou com a adesão de 57% dos credores não operacionais. A negociação, concluída em menos de dois meses, resultará em uma redução superior a 50% da dívida não operacional da companhia, que soma R$ 4,5 bilhões. A medida visa dar fôlego para a gestão implementar seu plano de reestruturação operacional.
Detalhamento do Plano de Recuperação Extrajudicial
Protocolado na 3ª Vara de Falências de São Paulo, o plano oferece aos credores duas opções de conversão de suas dívidas em debêntures. A primeira emissão totaliza R$ 2,5 bilhões, dividida em duas séries: uma de aproximadamente R$ 1,5 bilhão com custo de CDI mais 2,5%, carência de dois anos e vencimento em 2031; e outra de R$ 1 bilhão, conversível em ações em quatro janelas entre 2027 e 2031, com base no preço de mercado da época. Esta última opção prevê a captação de cerca de R$ 200 milhões em capital para a companhia, através de mecanismos como risco sacado ou capital de giro.
A segunda opção consiste em uma emissão de R$ 2 bilhões com um deságio de 70%, transformando a dívida em aproximadamente R$ 600 milhões, com vencimento apenas em 2036. Segundo o CFO do GPA, Pedro Albuquerque, o plano é unificado para todos os credores, que podem escolher a modalidade que melhor se adequa aos seus interesses.
Impactos da Reestruturação
Com a aprovação do plano, a dívida não operacional do GPA será reduzida para cerca de R$ 2,1 bilhões. Além disso, o prazo médio da dívida será estendido de 2,1 para 6,4 anos, e o custo médio cairá de CDI mais 1,8% para CDI mais 0,5%. Essa reestruturação impactará diretamente os desembolsos da companhia nos próximos três anos, que diminuirão de R$ 5,2 bilhões para R$ 800 milhões, proporcionando maior fluidez ao caixa operacional.
Foco nas Operações e Desafios Futuros
Com a questão da dívida encaminhada, o GPA volta suas atenções para a melhoria das operações. A empresa reformulou sua diretoria, trazendo executivos com experiência no varejo, para focar em três pilares: aprimorar a experiência do cliente, aumentar a eficiência operacional e manter a disciplina financeira. Apesar do alívio obtido, a companhia ainda precisa lidar com R$ 17 bilhões em contingências fiscais e trabalhistas, um desafio relevante para os próximos anos. O CEO Alexandre Santoro expressou otimismo com a nova direção estratégica, mas reconhece a agenda de trabalho que se mantém.
Em termos de mercado, as ações do GPA fecharam o pregão de segunda-feira, 4 de maio, em R$ 2,50, com alta de 2,17%. No acumulado do ano, os papéis registraram queda de 36,8%, avaliando o valor de mercado da empresa em R$ 1,2 bilhão.
Fonte: neofeed.com.br

