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Câncer de Mama no Brasil: Disparidades Regionais Acentuam Desigualdades no Acesso a Diagnóstico e Tratamento

A Realidade Desigual do Câncer de Mama no Brasil

O câncer de mama, o tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil, com estimativa de mais de 78 mil novos casos anuais, expõe um grave problema de saúde pública: as profundas desigualdades regionais no acesso ao cuidado. Uma pesquisa publicada na The Lancet Oncology revela que, enquanto países ricos observam estabilidade ou queda na incidência e mortalidade, nações de baixa renda, como o Brasil, enfrentam um aumento dessas taxas. Essa disparidade é atribuída à fragilidade dos sistemas de saúde, que limitam o acesso ao rastreamento, diagnóstico precoce e tratamentos adequados.

Gargalos na Jornada da Paciente: Do Diagnóstico ao Tratamento

A Política Nacional de Câncer, em estruturação no Brasil, busca padronizar diretrizes, mas a transformação de normativas em programas efetivos esbarra em desafios de infraestrutura e organização. Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia, lamenta que, no Brasil, o CEP (CEP – Código de Endereçamento Postal) ainda define o acesso ao diagnóstico, tratamento e a chance de cura. A jornada da paciente pode ser interrompida em qualquer etapa. Em Fortaleza, por exemplo, dezenas de milhares de mulheres aguardam por mamografias há anos, atrasando o início de qualquer investigação. No Rio Grande do Sul, o gargalo se manifesta após o diagnóstico, com pacientes esperando até três anos por cirurgias, com tempos de espera que variam drasticamente entre as regiões do estado.

Disparidades no Tratamento e Acesso a Terapias Inovadoras

Estudos como o realizado por Gustavo Nader Marta, no estado de São Paulo, evidenciam que pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) chegam aos hospitais em estágios mais avançados da doença e com menor sobrevida em comparação às que utilizam a rede privada. Essa diferença se agrava com subtipos de câncer de mama mais agressivos. Daniel Buttros, da Sociedade Brasileira de Mastologia, explica que nem todos os tratamentos disponíveis na medicina privada são acessíveis pelo SUS. No câncer de mama triplo negativo, a ausência de imunoterapia no sistema público é notória, e no cenário HER2 positivo, a variedade de medicamentos também difere significativamente. Mesmo em estados bem estruturados como São Paulo, as desigualdades são evidentes, levantando preocupações sobre regiões com menor capacidade de gestão.

Soluções em Curso e Desafios Persistentes

Iniciativas como a navegação de pacientes, implementada em estados como Santa Catarina, buscam integrar a atenção primária aos centros de alta complexidade, agilizando o diagnóstico e o início do tratamento. Unidades móveis em estados do Nordeste levam mamografias e exames a municípios do interior, com programas que já realizaram milhões de mamografias e encaminham pacientes para tratamento. O Ministério da Saúde tem investido na ampliação de mamógrafos e aceleradores lineares, e dados recentes indicam um aumento na taxa de início de tratamento em até 60 dias. No entanto, a fragmentação do sistema de informação e a morosidade na incorporação de novas tecnologias ao SUS, como a imunoterapia e testes genéticos, ainda representam desafios. A Política Nacional do Câncer, apesar de avanços, ainda precisa se traduzir em benefícios tangíveis para o paciente na ponta. Especialistas reforçam que, além de novas tecnologias, políticas de prevenção e a garantia de acesso ao básico bem-feito são cruciais para enfrentar o câncer de mama de forma equitativa em todo o país.

Fonte: futurodasaude.com.br

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