O Fim do “Piloto Automático” nos CDBs
A liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025, marcou o fim de uma era de aparente tranquilidade para o mercado de Certificados de Depósito Bancário (CDBs). O que antes era um produto de rotina, com emissões diárias previsíveis, passou a exigir uma análise mais criteriosa por parte dos investidores e uma nova estratégia para os bancos, especialmente os de menor porte.
Impacto Imediato e Ajuste de Quantidade
Logo após o choque de confiança provocado pelo caso Master, o mercado de CDBs sentiu o impacto. As emissões diárias de grandes bancos (S1 a S3) registraram uma queda de 31%, enquanto as de instituições menores (S4 e S5) apresentaram uma retração de 15%. Em um cenário de incerteza, o ajuste ocorreu primeiramente na quantidade de emissões, com uma redução de quase 45% no número diário, e não no preço (taxa de juros), indicando que a principal restrição foi a capacidade de distribuição e rolagem dos títulos.
Novas Regras de Confiança e Custos Elevados
A liquidação do Banco Master expôs a vulnerabilidade do modelo de captação baseado na rolagem recorrente de CDBs, especialmente para bancos médios e pequenos. Com a perda de confiança, o mercado passou a realizar uma triagem mais rigorosa dos emissores. Isso resultou em um encurtamento dos prazos dos CDBs e um aumento nos custos de captação e crédito para as instituições financeiras. A recuperação das emissões tem sido lenta, sinalizando que a confiança não foi restabelecida automaticamente.
Grandes Bancos se Adaptam, Pequenos Sofrem Mais
Curiosamente, os grandes bancos, com acesso a outras fontes de financiamento, demonstraram maior flexibilidade ao reduzir o uso do CDB como instrumento marginal. Em contrapartida, os bancos menores, mais dependentes desse canal, enfrentam maiores dificuldades. A redução na previsibilidade de captação afeta não apenas o financiamento, mas também a originação de crédito e o repasse de custos para os clientes finais, tornando o dinheiro mais caro, não por um aumento pontual de impostos, mas pela desativação do “piloto automático” na distribuição.
Fonte: neofeed.com.br

