quarta-feira, maio 6, 2026
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Tensão em Ormuz: IRGC assume controle e fecha estreito estratégico, desafiando diplomacia iraniana e Trump

IRGC dita regras em Ormuz, ignorando diplomacia

O Estreito de Ormuz, vital corredor marítimo para o comércio global de petróleo, encontra-se novamente sob forte tensão. A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), força militar que responde diretamente ao Líder Supremo do Irã, declarou que é ela quem define as condições de navegação na região. Essa postura contradiz as recentes declarações do Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que afirmava que o estreito permanecia aberto em um corredor “coordenado pelo Irã”, e também as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um possível acordo mais amplo.

No sábado, a IRGC anunciou que o estreito “voltou ao seu estado anterior de controle militar rigoroso”, alegando a continuidade do bloqueio imposto pelos EUA. Relatos indicam que a Guarda Revolucionária começou a disparar e a assediar navios que tentavam cruzar a via marítima, levando petroleiros a darem meia-volta abruptamente. Mais tarde, a IRGC declarou o fechamento do estreito até que o bloqueio americano seja levantado, emitindo um aviso severo: qualquer navio que se aproximar de Ormuz será considerado cooperando com o inimigo e sujeito a ataques.

Qalibaf alinha-se à IRGC, endurecendo o discurso

Mohammed Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano e principal negociador do país, pareceu endossar a posição da IRGC. Em declarações à mídia semi-oficial iraniana, Qalibaf afirmou que o estreito está sob controle iraniano e que sua reabertura está condicionada ao levantamento do bloqueio naval por parte de Washington. “É impossível para outros passarem pelo Estreito de Ormuz enquanto nós não podemos”, declarou, alertando que o tráfego será “definitivamente restrito” se os EUA não suspenderem o bloqueio.

O presidente Trump, por sua vez, rejeitou os movimentos iranianos, descrevendo a situação como “um pouco engraçada” e afirmando que conversas “muito boas” estavam em andamento. No entanto, a volatilidade da situação foi sublinhada por um áudio que sugere que forças iranianas dispararam contra o petroleiro indiano Sanmar Herald, um incidente sem precedentes, considerando a Índia um importante importador de petróleo iraniano. A Índia convocou o embaixador iraniano em Nova Delhi para exigir o restabelecimento da passagem segura no estreito.

Divisões internas e preparativos militares em ambos os lados

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) aponta que a IRGC parece estar a ditar as decisões iranianas, em detrimento dos responsáveis políticos que dialogam com os EUA. Essa divergência reflete divisões mais amplas no regime iraniano. Em um aviso adicional, um comandante iraniano declarou à televisão estatal que, caso a guerra recomece, o Irã utilizará mísseis recém-construídos, prevendo um conflito de escala global.

Paralelamente, relatórios indicam que o Irã mantém uma parcela significativa de seu arsenal anterior à guerra, incluindo drones de ataque de longo alcance e lançadores de mísseis balísticos e de cruzeiro. Os Estados Unidos, por sua vez, preparam-se para abordar petroleiros ligados ao Irã e apreender navios comerciais em águas internacionais. O transporte de equipamento militar americano para o Oriente Médio também continua em níveis elevados. As próximas 72 horas, que antecedem o fim do cessar-fogo, prometem ser decisivas, com a influência da linha dura da IRGC parecendo prevalecer em Teerã, enquanto a escalada militar de ambos os lados não dá sinais de arrefecimento.

Fonte: pt.euronews.com

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