Implementação da Política Nacional do Câncer Avança em Meio a Desafios
A Política Nacional para Prevenção e Controle do Câncer, após dois anos de sua vigência, encontra-se em uma fase crítica de sua implementação. O objetivo principal é traduzir as diretrizes em acesso real à saúde e cuidado oncológico de qualidade para a população. O 16º Fórum Nacional Oncoguia, realizado em São Paulo, reuniu especialistas, gestores e representantes do ecossistema de saúde para debater os próximos passos, com foco nas pactuações de normativas e na efetivação das ações.
AF-Onco: Prazos Prorrogados e a Busca por Organização
Um dos pontos centrais do debate foi a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), responsável pela organização da aquisição e distribuição de medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Foi anunciada a prorrogação do prazo para a publicação dos atos normativos pendentes da AF-Onco para maio deste ano. Apesar da postergação, o Ministério da Saúde reafirmou o compromisso com o combate ao câncer, destacando iniciativas como o programa “Agora Tem Especialistas”, carretas itinerantes e mutirões de cirurgias como parte de um programa prioritário.
Priorização e Incorporação de Tecnologias: Um Debate Urgente
Com a projeção de aumento no número de casos de câncer nos próximos anos, a urgência em colocar a política em prática é unânime. A discussão sobre estratégias de priorização para a incorporação de novas tecnologias e terapias no SUS ganhou destaque. Especialistas apontam a necessidade de agilizar a avaliação de custo-efetividade e evitar cenários onde medicamentos já incorporados não são disponibilizados aos pacientes. Ferramentas como o índice de priorização da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) buscam auxiliar gestores nesse processo, baseando decisões em critérios técnicos e de impacto financeiro.
Rede de Cuidado e Desafios na Saúde Suplementar
A organização da jornada do paciente oncológico em uma rede integrada e multidisciplinar é outro pilar fundamental da nova política. A capacitação de profissionais da atenção primária para lidar com demandas oncológicas e o uso da telemedicina para matriciamento do cuidado são estratégias em desenvolvimento. Paralelamente, na saúde suplementar, a fragmentação do cuidado e a dificuldade de acesso à informação são os principais gargalos. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sinaliza uma transição para um modelo focado no paciente, visando a promoção da saúde e a sustentabilidade do ecossistema a longo prazo. A experiência do paciente e o acolhimento são considerados tão cruciais quanto a qualidade do tratamento físico recebido.
Fonte: futurodasaude.com.br

