Atraso na Divulgação e Cautela do Mercado
O mercado financeiro reagiu com apreensão à divulgação do balanço anual da Aegea, que ocorreu após atrasos significativos devido a uma extensa revisão contábil. As alterações implementadas visam uma abordagem mais conservadora na gestão de créditos e no reconhecimento de receitas, impactando diretamente a percepção de risco da empresa.
Novas Metodologias e Impacto nos Números
A principal mudança reside na metodologia de cálculo das Perdas de Crédito Esperadas (PECLD) e no reconhecimento de receita. Com critérios mais rigorosos, as provisões para perdas de crédito cresceram R$ 322 milhões em 2025, atingindo um patamar de 105% dos créditos vencidos. A receita líquida proforma de 2024 foi revisada para R$ 15,16 bilhões, uma redução de aproximadamente R$ 1 bilhão em relação ao valor anterior, enquanto em 2025 atingiu R$ 18,3 bilhões.
Águas do Rio em Destaque Negativo
A concessão Águas do Rio foi a unidade mais afetada pelas novas diretrizes contábeis. A empresa apontou que a concessão ainda está em fase de amadurecimento e conversão da carteira de clientes. O impacto se refletiu em um menor crescimento reportado e em efeitos negativos via equivalência patrimonial, reduzindo a contribuição das coligadas ligadas à Águas do Rio.
Confiabilidade do Mercado e Alavancagem
O atraso na divulgação do balanço gerou desconfiança no mercado, culminando em rebaixamentos de rating por agências como Fitch e S&P e um aumento nos spreads de crédito das debêntures da Aegea. Apesar disso, o CEO da companhia, Radamés Casseb, assegurou que os ajustes são de natureza contábil, sem deterioração real da inadimplência, e que o aumento observado é reflexo da nova metodologia. A alavancagem da empresa subiu para 4,51 vezes o Ebitda em 2025, ante 4,13 vezes em 2024 (com números revisados).
Fonte: neofeed.com.br

