Novo Protocolo Clinico Busca Organizar o Tratamento da Dependência Digital
Um programa pioneiro em São Paulo, o Elibrè para Dependências Digitais, iniciou em abril um projeto piloto com 16 pacientes para testar um modelo estruturado de cuidado para o uso problemático de tecnologias. A iniciativa visa preencher uma lacuna no sistema de saúde, oferecendo uma linha de tratamento baseada em evidências científicas e uma abordagem multidisciplinar para lidar com os impactos na saúde mental causados pelo uso excessivo de redes sociais, jogos e outras plataformas digitais.
Abordagem Inovadora Vai Além do “Detox Digital”
Diferentemente de experiências de “detox digital” focadas em retiros sem tecnologia, que oferecem benefícios temporários, o programa Elibrè se aprofunda nos mecanismos centrais da dependência. Rodrigo Machado, psiquiatra e coordenador do programa, explica que o cérebro pode desenvolver dependência não apenas de substâncias, mas também de comportamentos que geram prazer intenso. O protocolo de 90 dias integra psicoterapia estruturada, prevenção de recaídas, acompanhamento psiquiátrico e intervenções familiares, abordando questões como sono, regulação emocional e dinâmicas familiares.
Estrutura e Escalabilidade do Programa
O desenho do programa, que levou seis meses, buscou transformar o conhecimento científico em um protocolo clínico replicável. Emílio Tazinaffo, outro coordenador, destaca a velocidade com que o uso intensivo de tecnologias afeta a saúde mental, com sintomas de ansiedade e isolamento, e a necessidade de um sistema de saúde mais preparado. A jornada assistencial começa com uma imersão breve para avaliação clínica e familiar, seguida por um plano terapêutico individualizado. A participação conjunta de pais e filhos é fundamental para mapear as dinâmicas familiares.
Monitoramento Contínuo e Geração de Evidências
Um dos diferenciais do programa é a adoção do Measurement-Based Care (Cuidado Baseado em Medição), que monitora continuamente indicadores como tempo de tela, humor e sono. Essa abordagem transforma a evolução clínica em dados mensuráveis, permitindo ajustes no tratamento e abrindo espaço para a geração de evidências sobre os desfechos clínicos. A estrutura modular do programa visa facilitar sua escalabilidade, permitindo que os pacientes recebam relatórios de evolução que sustentem a continuidade do cuidado após o término do programa.
Fonte: futurodasaude.com.br

