Gestora Investe em Carta Aberta e Solicita Voto Múltiplo
A gestora Squadra Investimentos elevou o tom em sua crítica à Hapvida, enviando uma carta contundente à operadora de saúde onde detém 6,98% do capital votante. A principal demanda da Squadra é a adoção do voto múltiplo na eleição do Conselho de Administração, marcada para 30 de abril. Além disso, a gestora apresentou três nomes com experiência em alocação de capital e governança para integrar o colegiado: Tania Sztamfater Chocolat, Bruno Magalhães e Silva, e Eduardo Parente Menezes. A iniciativa surge após meses de tentativas de diálogo com a administração, que, segundo a Squadra, não apresentaram avanços significativos.
Críticas Severas à Estratégia e Governança da Hapvida
A Squadra apresentou um diagnóstico severo sobre a condução da Hapvida desde seu IPO em 2018. A gestora aponta uma “sequência de decisões estratégicas, operacionais, de alocação de capital e de governança equivocadas” que, em sua visão, resultaram em uma das maiores destruições de valor da história recente da bolsa brasileira. Como evidência, a ação acumula queda de 85% desde o IPO, contrastando com a alta de 120% do Ibovespa no mesmo período. A fusão com a Notre Dame Intermédica também é citada como um evento que teria destruído cerca de R$ 80 bilhões em valor de mercado. A perda de 238 mil beneficiários em regiões estratégicas em 2025, o aumento da alavancagem e a não realização de impairment em um goodwill de R$ 44 bilhões, apesar da deterioração operacional, também foram pontos de destaque na carta.
Remuneração de Executivos e Conselho no Radar da Squadra
A governança corporativa da Hapvida foi outro alvo das críticas da Squadra. A gestora aponta a introdução de uma “poison pill” que limita a participação de minoritários a 20% do capital, medida aprovada com votos do bloco controlador. Além disso, a remuneração de executivos e conselheiros foi considerada excessiva. A carta menciona que a remuneração total do CEO nos exercícios de 2023 e 2024 atingiu aproximadamente R$ 110 milhões, e que a previsão de R$ 57 milhões para o Conselho de Administração em 2026 representa cerca de 20% do lucro estimado por analistas.
Proposta de Reestruturação e Venda de Ativos
Diante do cenário, a Squadra defende que o Conselho avalie alternativas estratégicas, incluindo a venda de ativos em regiões com baixo desempenho, como o Sudeste e Sul. Para a gestora, o turnaround nessas áreas não trouxe resultados concretos e apresenta alto risco de execução. Potenciais desinvestimentos poderiam, segundo a Squadra, reduzir significativamente a alavancagem, reequilibrar o capital regulatório, permitir a retomada de dividendos, concentrar a gestão nas operações mais rentáveis e criar valor para os acionistas. A Hapvida, atualmente avaliada em R$ 5,2 bilhões, viu suas ações desvalorizarem 68,4% nos últimos 12 meses.
Fonte: neofeed.com.br

