sábado, março 14, 2026
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SUS lança teleatendimento gratuito para transtorno de jogos e apostas com apoio do Sírio-Libanês

Iniciativa pioneira visa combater o aumento de casos de dependência em jogos e apostas digitais.

A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer teleatendimentos gratuitos para pessoas que enfrentam dificuldades com jogos e apostas, especialmente no ambiente digital. A iniciativa, em fase de projeto-piloto, é uma parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), e conta com um investimento de R$2,5 milhões.

A plataforma, integrada ao aplicativo Meu SUS Digital, já demonstra um alto interesse: mais de 500 pessoas de todo o Brasil se cadastraram para a triagem inicial até o final da semana passada. A expectativa é realizar mil atendimentos por mês, embora a equipe do projeto reconheça que a demanda real pode ser ainda maior. O objetivo principal, segundo Sabrina Dalbosco Gadenz, gerente de projeto do Hospital Sírio-Libanês, é validar e estruturar este modelo de cuidado dentro do SUS.

Avanço das apostas digitais como desafio emergente de saúde pública

O aumento das plataformas de apostas online tem gerado preocupações significativas na área da saúde, com relatos crescentes de endividamento, sofrimento psíquico e comportamentos compulsivos. A estratégia nacional para enfrentar esses impactos inclui a Plataforma de Autoexclusão Centralizada e o Observatório Saúde Brasil de Apostas. Apesar da existência de serviços como RAPS e CAPS, a busca presencial por ajuda ainda é limitada por fatores como vergonha e dificuldade em admitir o problema. Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a apostas, o que reforça a necessidade de alternativas como o teleatendimento.

Modelo de atendimento inspirado em centros de referência

O projeto-piloto foi desenvolvido com o suporte de especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), utilizando como base o modelo do Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI), do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da USP. A consulta inicial no formato digital é adaptada às diretrizes do Ministério da Saúde.

O serviço é gratuito e aberto a maiores de 18 anos, incluindo familiares e rede de apoio. A equipe multiprofissional é composta principalmente por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com o apoio de psiquiatras quando necessário. “O grande objetivo é oferecer cuidado psicoterapêutico”, explica Gadenz. Além dos profissionais de saúde, equipes de tecnologia e design são responsáveis pela estrutura do atendimento digital. O projeto também visa gerar dados para futuras políticas públicas, analisando o perfil dos pacientes, a adesão ao tratamento e os resultados clínicos.

Como funciona o teleatendimento

Os usuários iniciam o processo respondendo a um questionário para identificar o nível de risco e definir o encaminhamento. Segue-se uma consulta de acolhimento com avaliação clínica sobre frequência de apostas, impactos na vida e gravidade do problema. A partir disso, é definida uma jornada de cuidado que pode incluir atendimentos individuais, grupos terapêuticos e avaliação psiquiátrica, com um acompanhamento que pode chegar a até 13 encontros.

O projeto busca garantir a integração do atendimento digital com a rede pública de saúde mental, encaminhando pacientes para serviços presenciais quando necessário. O objetivo não é substituir os serviços existentes, mas sim complementar e ampliar o acesso ao cuidado. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens utilizadas, focada na reestruturação de pensamentos e comportamentos compulsivos. A capacitação dos profissionais é vista como crucial para a eficácia do tratamento, como ressalta a psicóloga Mirella Mariani. O psiquiatra Vinícius Oliveira de Andrade destaca a importância de políticas públicas que utilizem a internet para alcançar um país de dimensões continentais como o Brasil, facilitando o acesso à ajuda em momentos cruciais para pacientes com dependência comportamental.

Fonte: futurodasaude.com.br

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