O Novo Perfil do Líder em Saúde
O setor da saúde está em constante ebulição, impulsionado pelo envelhecimento da população, o aumento de doenças crônicas, inovações tecnológicas e a escassez de profissionais. Diante desse cenário complexo, a liderança na área da saúde precisa evoluir. Não basta mais o conhecimento técnico; competências como inteligência emocional, curiosidade, confiabilidade e adaptabilidade tornam-se essenciais para guiar os sistemas de saúde rumo a um futuro mais resiliente e equitativo.
Essa necessidade de um novo perfil de liderança foi um dos pontos centrais do 11° Fórum Latino-Americano de Qualidade e Segurança na Saúde, promovido pelo Einstein em parceria com o Institute for Healthcare Improvement (IHI). O evento reuniu especialistas de renome internacional para discutir como equilibrar inovação, sustentabilidade e o acesso universal à saúde.
Aceleração da Transformação: Mais que Tecnologia, uma Mudança de Mentalidade
Por décadas, o setor de saúde foi percebido como conservador na adoção de novas tecnologias. Atualmente, a pressão por modernização é imensa. Sidney Klajner, presidente do Einstein, destacou a urgência em acelerar a transformação para garantir que o cuidado seja pertinente, seguro, respeitoso e acessível a todos, globalmente. “Não é possível mais esperar por uma transformação profunda do sistema”, afirmou Klajner, ressaltando que a qualidade e a segurança são valores inegociáveis para o Einstein.
Claudio Lottenberg, presidente do Conselho Deliberativo do Einstein, complementou que os desafios atuais demandam abordagens inovadoras e ousadas, pois os problemas se apresentam com características e em momentos históricos distintos. A busca por respostas não pode ser a mesma de sempre, exigindo repensar o sistema de saúde de forma contínua.
Protagonismo e Colaboração na Construção do Futuro
O Fórum, que contou com a participação de mais de 2.000 especialistas de 17 países, incluindo nomes como John Halamka (Mayo Clinic Platform) e Sylvia Trent-Adams (IHI), enfatizou o papel das organizações como agentes ativos na construção dos sistemas de saúde do futuro. Isso implica em desenvolver uma cultura de aprendizado contínuo, utilizar dados de forma estratégica e promover a confiabilidade em todo o ecossistema.
Dominique Allwood, diretora Executiva do Imperial College Health Partners (Reino Unido), ressaltou que a adoção de uma estratégia integrada, que abranja autoridade, estrutura e governança, é um ponto de inflexão, muitas vezes mais importante que a disponibilidade de recursos. A capacidade de direcionar pessoas e demandas para atingir objetivos é fundamental.
Inteligência Artificial como Aliada Humana
As novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial e o machine learning, são vistas como aliadas poderosas na reavaliação de processos. No entanto, a perspectiva é que elas não substituam o ser humano, mas liberem tempo para o que realmente importa: o cuidado com o paciente. Henrique Neves, diretor-geral do Einstein, aponta para uma redefinição radical do sistema a partir da lógica tecnológica, mas sempre com foco humano.
“A IA existe para ser um meio para cumprir o nosso propósito de entregar saúde”, concluiu Klajner. A construção de um futuro otimista na saúde passa pela união de tecnologias exponenciais com habilidades humanas, garantindo um cuidado personalizado, sustentável e centrado no paciente.
Fonte: futurodasaude.com.br

