terça-feira, julho 28, 2026
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Brasil “condenado a ficar no meio” da disputa EUA-China, alerta historiador Niall Ferguson

Nova Guerra Fria e o Dilema Brasileiro

O renomado historiador Niall Ferguson compara a atual tensão entre Estados Unidos e China a uma nova Guerra Fria, com Taiwan emergindo como o principal ponto de discórdia. Em entrevista ao NeoFeed, Ferguson afirmou que o Brasil se encontra em uma posição delicada, “condenado a ficar no meio” desse conflito global. Apesar da distância geográfica reduzir os riscos iminentes, o país enfrenta o desafio de equilibrar suas relações econômicas com a China e sua posição geopolítica no Hemisfério Ocidental.

Ferguson ressalta a dificuldade de se manter não alinhado em um cenário de Guerra Fria, citando a Índia como exemplo de país que busca essa neutralidade. Para o Brasil, a estreita relação econômica com a China e a proximidade com os Estados Unidos criam uma tensão constante. Embora a manutenção dessa posição seja custosa, com tarifas americanas como um obstáculo, Ferguson considera improvável que o Brasil abandone seus laços com a China devido à sua importância econômica.

Oportunidades Perdidas na Revolução Tecnológica

O historiador critica a forma como o Brasil lida com suas vantagens competitivas, como a energia barata e as reservas de minerais críticos. Ele aponta que o país desperdiça oportunidades de se destacar na revolução da inteligência artificial (IA) devido a barreiras, como as altas tarifas sobre semicondutores, que desencorajam a instalação de data centers. Ferguson sugere que o Brasil poderia se tornar um protagonista na expansão de data centers, aproveitando sua energia acessível e atraindo investimentos americanos.

Além disso, Ferguson destaca o potencial do Brasil na exploração de minerais críticos e terras raras, recursos hoje dominados pela China. O desenvolvimento desses recursos poderia aumentar o valor estratégico do Brasil para os Estados Unidos e reconfigurar a relação entre os dois países. Ele defende uma maior abertura e participação do Brasil no cenário global para explorar suas vantagens.

IA: Um Caminho Americano ou Chinês?

Ferguson analisa a liderança em IA como um fator determinante para a próxima potência global dominante. Ele observa que a revolução da IA está sendo liderada pelos Estados Unidos e pela China, com poucos outros países conseguindo competir. Diante desse cenário, o Brasil enfrenta o dilema de adotar a estrutura tecnológica americana ou chinesa.

Sua recomendação pende para a aproximação com o ecossistema americano de IA. Ferguson argumenta que os modelos chineses estão atrelados ao Partido Comunista Chinês, enquanto os Estados Unidos compartilham valores democráticos e de liberdade individual com o Brasil. Ele considera inviável a construção de uma estrutura tecnológica totalmente nacional, dada a complexidade e o custo de desenvolvimento de IA, computação em nuvem e semicondutores. Para ele, o navio da criação de empresas de IA próprias já partiu para o Brasil e outros países europeus.

Fonte: neofeed.com.br

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