Doença Renal Crônica: Diagnóstico Precoce é o Grande Desafio para Evitar Diálise e Aumentar Qualidade de Vida no Brasil
Especialistas alertam para a necessidade de rastreamento na atenção primária, o uso de exames simples e a organização de linhas de cuidado para combater o subdiagnóstico e o alto custo para o SUS.
A Doença Renal Crônica (DRC) afeta mais de 2,4 milhões de brasileiros, com cerca de 170 mil dependentes de diálise. A condição, que representa um desafio crescente para o sistema de saúde devido à sua natureza progressiva e silenciosa, foi tema de debate no episódio do Talks Online, do Futuro da Saúde. O principal gargalo identificado é a dificuldade no diagnóstico precoce, que poderia reverter o quadro e evitar a necessidade de terapias renais substitutivas, como a hemodiálise, que custam mais de R$ 4,5 bilhões anuais ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Avanços Terapêuticos e a Luta Contra Complicações Graves
A nefrologia tem visto avanços significativos com novas terapias que retardam a progressão da DRC e reduzem riscos cardiovasculares. No entanto, complicações como a hiperpotassemia, comum devido à dificuldade dos rins em eliminar o potássio, representam um obstáculo. Essa condição, muitas vezes ligada ao consumo de alimentos saudáveis, pode limitar o uso de medicamentos essenciais para a preservação da função renal e adiar a necessidade de diálise. O desafio é gerenciar a hiperpotassemia sem interromper tratamentos cruciais.
O Papel Crucial da Atenção Primária e Exames Simples
A DRC raramente apresenta sintomas em seus estágios iniciais, o que contribui para o diagnóstico tardio. A hipertensão e o diabetes, principais fatores de risco, também são frequentemente diagnosticados tarde. Especialistas enfatizam a importância de exames simples e de baixo custo, como a albuminúria e a dosagem de creatinina, que são negligenciados na atenção primária. A solicitação rotineira desses exames poderia identificar a doença precocemente, permitindo intervenções eficazes para retardar sua progressão e, em muitos casos, adiar a diálise por anos.
Reorganização da Linha de Cuidado para um Acesso Mais Equitativo
O Ministério da Saúde trabalha na reorganização da linha de cuidado da DRC, focando na prevenção e no diagnóstico precoce. A estratégia inclui a capacitação de equipes da atenção primária para identificar e acompanhar pacientes com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, antes que a função renal seja severamente comprometida. A meta é garantir que o cuidado seja oferecido no momento certo e próximo às residências dos pacientes. A diálise peritoneal, um tratamento domiciliar, também surge como alternativa importante para ampliar o acesso em regiões com carência de serviços de hemodiálise, promovendo maior qualidade de vida.
Desigualdades Sociais e o Risco Residual
As desigualdades sociais impactam diretamente a evolução da DRC. Pacientes com menor escolaridade e renda tendem a progredir mais rapidamente para a diálise. Além disso, o acesso a terapias mais recentes ainda é desigual, limitando a capacidade de retardar a progressão da doença para parte da população. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a DRC, publicado em setembro de 2024, busca estabelecer critérios claros para diagnóstico, tratamento e regulação, visando atenuar a progressão da doença e garantir um cuidado mais integrado e equitativo.
Fonte: futurodasaude.com.br

