Queda acentuada no consumo
O consumo de automóveis na China registrou uma queda expressiva de 12,6% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa retração, a maior entre todos os bens de consumo, é atribuída principalmente à redução dos subsídios governamentais e à introdução de um imposto de 5% sobre a compra de Veículos de Nova Energia (NEVs), como elétricos e híbridos. Essa mudança de política afetou significativamente o mercado, que é o maior do mundo.
Pressão sobre o maior mercado automotivo do mundo
Os gastos do consumidor com carros totalizaram 1,97 trilhão de yuans (aproximadamente US$ 290 bilhões) no primeiro semestre de 2026. Como resultado, a participação do setor nas vendas totais a varejo de bens de consumo caiu para 7,9%, um recuo notável em relação aos cerca de 10% observados nos últimos anos. As vendas domésticas de veículos registraram uma queda de 21,1%, totalizando cerca de 9,9 milhões de unidades no período, de acordo com dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.
Mudança de estratégia e excesso de lançamentos
A contração do mercado ocorreu após uma alteração na política governamental no início de 2026, quando os subsídios para modelos mais baratos foram reduzidos e a isenção de impostos para NEVs, que vigorava há uma década, foi encerrada. A situação foi agravada pelo lançamento acelerado de novos modelos. Segundo He Zhiqi, vice-presidente executivo da BYD Co. Ltd., as montadoras introduziram 542 novos modelos nos primeiros cinco meses de 2026. A curta vida útil desses lançamentos no mercado, muitas vezes inferior a três meses, intensifica a concorrência e a pressão sobre a indústria automotiva.
Novas políticas e foco no mercado de serviços
Em resposta à desaceleração, o governo chinês está explorando novas estratégias para estimular o consumo de automóveis, com um foco crescente no mercado de reposição. Diretrizes emitidas em junho pelo Ministério do Comércio e outros oito departamentos governamentais visam o desenvolvimento e a expansão desse setor. O 15º Plano Quinquenal, divulgado no início de julho, também propõe medidas para impulsionar o consumo de bens, incluindo automóveis. As novas políticas sugerem uma transição da gestão de compras para a gestão de uso, incentivando cidades com restrições de compra a explorarem cotas diferenciadas. O foco principal, no entanto, está no mercado de serviços automotivos, como modificação de veículos, camping em veículos recreativos, reparos, seguros, automobilismo e aluguel de carros, sinalizando uma mudança para o consumo de serviços ao longo do ciclo de vida do veículo.
Fonte: www.poder360.com.br

