Acordo Histórico em Vista
Um memorando de entendimento com 14 pontos estabelece as bases para um cessar-fogo permanente e a normalização das relações diplomáticas e econômicas entre os Estados Unidos e o Irã. O documento, divulgado nesta quarta-feira (17.jun.2026), propõe a reabertura imediata de rotas comerciais marítimas estratégicas, alívio financeiro a Teerã e o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares.
O texto preliminar foi chancelado digitalmente no último domingo (14.jun) pelo presidente norte-americano Donald Trump, seu vice JD Vance, e pelo presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf. Apesar do avanço, o rascunho ainda pode sofrer modificações técnicas antes da assinatura presencial programada para a próxima sexta-feira (19.jun), na Suíça. Se validado, o memorando abrirá uma janela de 60 dias para a formulação de um tratado final.
Os 14 Pontos Detalhados
O rascunho detalha as contrapartidas exigidas de cada lado, amarrando desde o recuo militar nas zonas de conflito até as diretrizes para a liberação de ativos congelados pelo Tesouro norte-americano. Os termos do documento, divulgados pela agência semiestatal iraniana Tasnim, incluem:
- Fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, com compromisso de não iniciar guerras ou ameaçar o uso da força um contra o outro. Garantia da integridade territorial e soberania do Líbano.
- Respeito mútuo à soberania e integridade territorial, e abstenção de interferência nos assuntos internos.
- Negociação e alcance de um acordo final em no máximo 60 dias, prorrogável por consentimento mútuo.
- Início da remoção do bloqueio naval dos EUA contra o Irã em 30 dias, com o tráfego de embarcações sendo proporcional à restauração do volume pré-guerra. Retirada das forças americanas das proximidades do Irã 30 dias após o acordo final.
- Garantia pela República Islâmica do Irã da passagem segura e gratuita de embarcações comerciais no Golfo Pérsico e Mar de Omã por 60 dias. Desminagem iniciada em até 30 dias. Diálogo com Omã e outros Estados costeiros para a futura administração do Estreito de Ormuz.
- Desenvolvimento, pelos EUA e parceiros regionais, de um plano de reconstrução e desenvolvimento econômico para o Irã com orçamento mínimo de US$ 300 bilhões.
- Extinção de todas as sanções contra o Irã, incluindo resoluções da ONU e da AIEA, e sanções unilaterais dos EUA, em cronograma a ser acordado.
- Reafirmação do Irã em não adquirir ou desenvolver armas nucleares. Resolução sobre o descarte de material enriquecido sob supervisão da AIEA. Discussão sobre enriquecimento e outras questões nucleares mutuamente acordadas.
- Manutenção do status quo nuclear do Irã e ausência de novas sanções ou envio de tropas adicionais pelos EUA na ausência de acordo final.
- Emissão de isenções pelo Departamento do Tesouro dos EUA para exportação de petróleo iraniano, produtos derivados e serviços associados imediatamente após a assinatura e até o término das sanções.
- Disponibilização integral de fundos e ativos iranianos congelados ou restritos pelos EUA após a implementação do memorando.
- Estabelecimento de um mecanismo executivo para monitorar a implementação do memorando e do acordo final.
- Início de negociações para o acordo final, exclusivamente sobre os demais parágrafos, após a implementação das medidas iniciais dos parágrafos 1, 4, 5, 10 e 11.
- Endosso do acordo final por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.
Impasse Nuclear e Próximos Passos
Apesar das garantias de Teerã no artigo 8º, o governo norte-americano classifica o memorando apenas como um “documento político”. A redação atual não detalha as ações práticas imediatas sobre o estoque de urânio altamente enriquecido mantido pelo país asiático. A intenção da Casa Branca é empurrar a discussão central do programa atômico para os comitês que atuarão nos próximos 60 dias, período estipulado para a formulação do tratado final.
Contexto e Expectativas
O acordo preliminar surge em um momento de tensões elevadas na região, e sua validação pode representar um ponto de virada nas relações entre os dois países. A normalização das relações diplomáticas e econômicas, a liberação de ativos e o alívio das sanções são pontos cruciais para a economia iraniana. No entanto, a questão nuclear permanece como o principal ponto de atenção e negociação para a comunidade internacional.
Fonte: www.poder360.com.br

