Ações da CVC Atingem o Menor Valor Desde IPO, Reflexo de Problemas Estruturais
A CVC, tradicional operadora de turismo brasileira, vive um de seus piores momentos no mercado de capitais. Em 11 de junho, suas ações fecharam o pregão a R$ 1,32, o menor valor desde a abertura de capital em dezembro de 2013, levando o valuation da empresa a R$ 687,4 milhões. Apesar de uma leve recuperação no dia seguinte para R$ 1,39, o cenário permanece de forte desconfiança por parte dos investidores, com uma queda acumulada de 35,6% em 2026 e 44,8% em 12 meses.
CEO Defende Fatores Externos, Mas Mercado Aponta Ineficiências e Dívida
Fabio Mader, CEO da CVC, atribui parte das turbulências recentes a fatores macroeconômicos, como a instabilidade geopolítica no Oriente Médio e a alta da taxa Selic, que teriam impactado o balanço do primeiro trimestre de 2026, marcado por um prejuízo de R$ 72,3 milhões e alta queima de caixa. No entanto, fontes ouvidas pelo NeoFeed rejeitam essa tese, apontando para problemas estruturais mais profundos. Entre eles, a ineficiência da estratégia “figital” (integração do físico e digital), o endividamento crescente da operação e a instabilidade gerencial, com quatro CEOs em sete anos, que têm corroído a confiança do mercado.
Estratégia “Figital” Questionada e Concorrência Digital Aceleram Perda de Mercado
A estratégia “figital” da CVC, que visa unir canais digitais e físicos, tem sido alvo de críticas. Gestores apontam que a iniciativa aumentou custos sem gerar ganhos de eficiência, ao mesmo tempo em que a empresa perde espaço para concorrentes 100% digitais como Decolar e Booking. Um gestor ouvido pelo NeoFeed ressalta que o mercado de turismo está em alta, mas a CVC não acompanha o crescimento, com vendas relacionadas ao Oriente Médio representando menos de 1% do total.
Deterioração Financeira e Mudanças Constantes na Liderança Minam Confiança
O quadro financeiro da CVC é preocupante, com prejuízos recorrentes, endividamento em ascensão e uma forte queima de caixa. A dívida líquida saltou para R$ 241,8 milhões, e a dívida líquida com recebíveis atingiu R$ 1,52 bilhão. A instabilidade na gestão, evidenciada pela troca de quatro CEOs em sete anos, agrava a percepção de risco. A mais recente mudança, com a saída de Fabio Godinho e a chegada de Fabio Mader em janeiro de 2026, reforçou a dinâmica de incerteza, em um cenário onde a rentabilidade da empresa se mantém aquém das expectativas.
Fonte: neofeed.com.br

