Trem-bala chinês: A jornada de 1.318 km a 350 km/h que revolucionou o transporte e desafia a aviação
China investe pesado em ferrovias de alta velocidade, expandindo malha para 50 mil km e transportando 4 bilhões de passageiros anualmente, com planos de superar os 450 km/h.
A experiência de viajar entre Pequim e Xangai em pouco mais de quatro horas, a uma velocidade de 350 km/h, é um retrato fiel do avanço impressionante da China no setor de trens de alta velocidade. O percurso de 1.318 quilômetros, que mescla paisagens urbanas em ebulição com áreas rurais e campos de energia eólica, é realizado em um ambiente de notável estabilidade e silêncio dentro do vagão, contrastando com a rápida transformação do cenário pela janela.
Do zero à liderança global em menos de duas décadas
O planejamento para a expansão dessa malha ferroviária começou em 2004, com a inauguração da primeira linha em 2008. Desde então, a China construiu uma rede que ultrapassa os 50 mil quilômetros, consolidando-se como líder mundial disparada no setor. Em comparação, a Espanha, segunda colocada, possui 3,9 mil quilômetros, seguida pelo Japão com 3,1 mil. Essa extensa rede já conecta cerca de 97% das cidades chinesas com mais de 500 mil habitantes e transporta impressionantes 4 bilhões de passageiros anualmente.
Tecnologia nacional com inspiração global
O sucesso do programa de trens de alta velocidade chinês se deve, em grande parte, a uma estratégia de aprendizado e desenvolvimento. Inicialmente, a China adquiriu tecnologia de países como França, Japão e Alemanha. Contudo, rapidamente passou a investir em pesquisa e desenvolvimento próprios, resultando em trens com recursos avançados como suspensão inteligente, sensores de segurança e controle automatizado. Essa autonomia tecnológica é visível na nova geração de trens CR450, que já testa velocidades superiores a 450 km/h.
Conectividade e conveniência: Uma nova experiência de viagem
A experiência a bordo dos trens de alta velocidade chineses vai além da velocidade. A conectividade 5G garante acesso à internet de alta velocidade durante toda a viagem, permitindo que os passageiros trabalhem ou se mantenham conectados. Além disso, um sistema de delivery integrado permite que os viajantes peçam refeições de estabelecimentos locais através de aplicativos, recebendo-as diretamente em seus assentos. O pagamento é realizado de forma digital, via Alipay e WeChat, refletindo a digitalização da sociedade chinesa.
O impacto no transporte aéreo e o futuro da mobilidade
A eficiência e conveniência dos trens de alta velocidade têm provocado um impacto significativo no mercado de transporte aéreo chinês, especialmente em distâncias curtas e médias. Estudos indicam uma queda na demanda por voos domésticos em rotas de até 800 quilômetros. Fatores como a localização mais central das estações ferroviárias em comparação com os aeroportos e a agilidade nos procedimentos de segurança contribuem para a preferência dos passageiros. Com a expansão planejada da malha para 70 mil quilômetros até 2035 e o desenvolvimento de trens ainda mais rápidos, a China reforça sua posição como referência global em mobilidade de alta velocidade.
Fonte: neofeed.com.br

