Protagonismo Feminino na Saúde: Cuidado Que Adoece
As mulheres são a espinha dorsal do sistema de saúde brasileiro, compondo a vasta maioria de Agentes Comunitárias de Saúde e profissionais de enfermagem. No lar, seu papel é igualmente crucial na organização de consultas, acompanhamento de vacinas e no cuidado de familiares. No entanto, esse protagonismo vem acompanhado de um paradoxo alarmante: enquanto promovem a saúde coletiva, as mulheres são as que mais adoecem.
Doenças Crônicas e Sobrecarga: Um Cenário Preocupante
Dados recentes revelam um avanço expressivo de doenças crônicas entre mulheres. A obesidade subiu de 38,5% para 60,6% entre 2006 e 2024, e o diabetes aumentou de 5,5% para 12,9%. Sintomas de insônia afetam 36,2% das mulheres nas capitais, superando os homens. A carga diária de trabalho doméstico, responsabilidades profissionais e a gestão da saúde familiar contribuem diretamente para hipertensão, obesidade, diabetes e distúrbios do sono, além de expor mulheres a relações de dependência e violência.
Desigualdades Amplificadas: Raça, Renda e Violência
As desigualdades de raça e renda aprofundam esse quadro. Mulheres pretas, pobres e vítimas de violência sofrem com maior carga de agravos físicos e mentais, como dor crônica, ansiedade, insônia e depressão, elevando o risco cardiovascular. Estudos apontam que o risco de morte após violência é significativamente maior entre mulheres pretas, pardas, indígenas e amarelas, reflexo do racismo estrutural e das barreiras de acesso à saúde.
Violência de Gênero: A Invisibilidade Que Prejudica
A violência de gênero permanece largamente subnotificada. Comparações entre sistemas de informação indicam que a maioria dos casos de violência psicológica, sexual e física nunca chega às estatísticas oficiais. Essa invisibilidade compromete a proteção das vítimas e a interrupção de ciclos de violência, evidenciando a necessidade urgente de mecanismos mais eficazes de identificação e denúncia.
Inovação e Políticas Públicas: Caminhos Para a Mudança
Iniciativas que utilizam tecnologia, como análise semântica e inteligência artificial em prontuários, buscam aprimorar a identificação e notificação de violência contra mulheres. A ampliação de serviços públicos de cuidado, o apoio a cuidadoras e a articulação entre saúde, assistência e trabalho são medidas essenciais. Reconhecer o cuidado como responsabilidade compartilhada e avançar na Política Nacional de Cuidados é fundamental para reduzir a sobrecarga que afeta milhões de mulheres e, consequentemente, fortalecer a saúde coletiva e a sustentabilidade do país.
Fonte: futurodasaude.com.br

