Santander lança OPA de R$ 10 bilhões por fatia minoritária no Brasil
O Santander Brasil anunciou um plano ambicioso para adquirir cerca de 10% de suas ações que ainda não detém. A oferta pública de aquisição (OPA) voluntária, com valor estimado em até € 1,9 bilhão (aproximadamente R$ 10 bilhões), visa simplificar a estrutura do grupo e oferecer aos acionistas minoritários uma oportunidade de se tornarem parte de uma instituição financeira global.
A operação, divulgada na noite de quinta-feira, 30 de julho, prevê uma permuta nos Estados Unidos. Detentores de ações, units e American Depositary Shares (ADSs) do Santander Brasil poderão receber em troca Brazilian Depositary Receipts (BDRs) ou ADSs do grupo espanhol. Essa troca representa um prêmio de 15% sobre o preço de fechamento das ações em 30 de julho.
Detalhes da oferta e o prêmio para acionistas
A relação de troca estabelecida é de 0,4056 BDR ou ADS do Santander para cada unit ou ADS do Santander Brasil, e de 0,2028 BDR ou ADS do banco espanhol para cada ação ordinária ou preferencial da subsidiária brasileira. No dia 30 de julho, as units do Santander Brasil fecharam cotadas a R$ 25,25, registrando uma queda de 1,48% e acumulando um recuo de 25,8% no ano, o que avalia a operação brasileira em R$ 135,6 bilhões.
A matriz espanhola ressaltou que a oferta não está condicionada a um percentual mínimo de adesão. No entanto, a operação tem o potencial de reduzir significativamente a liquidez das units do Santander Brasil na B3, cujo free float atual é de 10,2%, justamente o alvo da oferta.
Confiança no Brasil e estratégia de simplificação
Apesar dos desafios recentes enfrentados pela operação brasileira, como a queda no lucro líquido e a recente troca de liderança, a matriz espanhola expressou confiança no potencial de crescimento do Brasil. Ana Botín, presidente-executiva do Santander, destacou que o país é um dos principais mercados do grupo, com perspectivas de longo prazo favoráveis e oportunidades de crescimento rentável.
Botín também afirmou que a transação se alinha à estratégia de alocação disciplinada de capital e à orientação de simplificação do grupo. A expectativa é de um impacto positivo no lucro por ação e no valor patrimonial tangível por ação, com um efeito neutro sobre o capital. A oferta visa, ainda, beneficiar os acionistas minoritários com um prêmio atrativo e a chance de integrar um grupo financeiro global.
Desafios recentes e futuro da liquidez na B3
A oferta ocorre em um momento de reestruturação para o Santander Brasil, que em 1º de julho recebeu Gilson Finkelsztain como novo presidente. O banco reportou em julho um lucro líquido gerencial recorrente de R$ 3 bilhões no segundo trimestre, uma queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) também apresentou queda, atingindo 12,5%.
O CFO da operação, Carlos Muñiz, atribuiu os resultados a decisões de gestão de balanço, focadas em uma melhor relação entre risco e retorno, e não expressou preocupação com market share no curto prazo. Ele indicou cautela com o cenário macroeconômico, projetando uma melhora mais consistente apenas para o início de 2027. A possibilidade de deslistagem dos ADSs na NYSE, dependendo da adesão à oferta, e a consequente redução de liquidez na B3, ecoam movimentos anteriores do Santander em outros mercados, como o México.
Fonte: neofeed.com.br

