Desigualdades Regionais e Fragmentação Marcam o Programa
Uma análise recente sobre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), referente ao triênio 2021-2023, identificou desafios significativos para a ampliação do impacto de suas iniciativas. Apesar de ter atingido um volume recorde de projetos e investimentos, com cerca de R$ 3,8 bilhões aplicados em 203 ações, o estudo, realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com a UFMG, detectou baixa integração sistêmica, fragmentação e concentração de projetos em regiões específicas do país, como Sudeste e Sul, que concentraram 42% das iniciativas.
Baixa Clareza na Identificação de Beneficiários e Dificuldades de Monitoramento
A pesquisa destacou a dificuldade em rastrear e identificar os beneficiários diretos dos projetos do Proadi-SUS, em grande parte devido ao uso de dados agregados. Essa falta de clareza compromete a tomada de decisões, o monitoramento eficaz e a mensuração real do impacto das ações. Adicionalmente, foram apontados problemas de articulação entre os próprios projetos, redundâncias temáticas e baixa adesão dos gestores, além de dificuldades na avaliação dos resultados devido a indicadores focados excessivamente em aspectos físicos e financeiros.
Baixa Incorporação de Resultados e Necessidade de Planejamento Estratégico
Outro ponto crítico levantado pelo estudo é a baixa incorporação dos produtos e soluções desenvolvidos pelo Proadi-SUS no Sistema Único de Saúde (SUS). A falta de um planejamento claro para a internalização dos resultados impede que as iniciativas gerem capacidades estruturantes duradouras. Questões como a ausência de critérios claros para continuidade de ações, análises críticas insuficientes e alterações não planejadas após o início da execução também foram identificadas como barreiras.
Novas Premissas e Diretrizes para o Próximo Triênio
Em resposta aos achados, o Ministério da Saúde anunciou novas premissas e diretrizes para o programa. O objetivo é direcionar os projetos para temas prioritários do SUS, acelerar a aprovação de propostas, fortalecer a governança, aumentar a transversalidade e aproximar o conhecimento de excelência dos hospitais parceiros das necessidades do sistema público. A meta é avançar de um modelo de iniciativas isoladas para portfólios articulados em torno de prioridades estratégicas, visando a transformação e a escalada de experiências para se tornarem políticas estruturantes. O próximo triênio (2027-2029) será fundamental para aplicar esses aprendizados e fortalecer a capacidade do Proadi-SUS de gerar resultados concretos e de maior impacto para o SUS.
Fonte: futurodasaude.com.br

