Dependência Energética e Conflitos Globais
A segurança nacional está intrinsecamente ligada à dependência de combustíveis fósseis, alertou Simon Stiell, Secretário-Geral da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC). A recente guerra contra o Irão, iniciada em 28 de fevereiro, exacerbou a vulnerabilidade de países importadores de petróleo do Médio Oriente, com picos nos preços de eletricidade e gás. Ataques a navios no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, evidenciaram a fragilidade das rotas marítimas e a volatilidade associada.
Renováveis: A Alternativa Segura e Económica
Apesar de as energias renováveis terem superado os combustíveis fósseis em geração no ano passado, a Europa mantém uma dependência significativa de importações. Stiell destaca que países como a Espanha, com investimentos robustos em energia eólica e solar desde 2019, demonstram maior resiliência aos choques de preço do gás. “As renováveis mudam as regras do jogo”, afirmou Stiell, sublinhando que a luz solar e o vento não dependem de corredores marítimos vulneráveis ou de escoltas navais dispendiosas.
Lições Ignoradas e Novos Riscos
A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 já havia gerado uma crise energética. Contudo, em vez de acelerar a transição para renováveis, muitos países europeus optaram por garantir novos fornecimentos de combustíveis fósseis, reabrindo centrais a carvão e firmando contratos de longo prazo para gás natural liquefeito. Críticos alertaram na altura que esta abordagem não era a solução, e Stiell reitera que reforçar a causa do problema, mesmo com alternativas mais baratas, seguras e rápidas, é “totalmente delirante”. Grandes petrolíferas foram acusadas de lucrar com o conflito, com o preço do petróleo Brent a disparar para 100 dólares por barril.
Benefícios Económicos e Sociais da Transição Verde
Investir em energias renováveis vai além da estabilidade de preços. A transição para uma economia de baixo carbono abrandaria os fenómenos meteorológicos extremos, melhoraria a saúde pública e impulsionaria a economia. Um relatório do Climate Change Committee (CCC) aponta que alcançar a neutralidade carbónica até 2050 teria um custo inferior ao impacto de um único choque futuro nos combustíveis fósseis. “A ação climática proporciona em grande escala o que a maioria dos eleitores exige”, defendeu Stiell, referindo-se à criação de empregos, à redução de faturas energéticas e à melhoria da qualidade do ar.
Um Futuro Livre de Crises Energéticas
A dependência contínua de combustíveis fósseis importados condena a Europa a “oscilar de crise em crise”, com famílias e empresas a suportarem os custos. A meta da UE de redução de emissões até 2040, apesar de críticas sobre brechas nos créditos de carbono, deverá impulsionar a economia em 2%. A mensagem de Stiell é clara: a transição para energias renováveis não é apenas uma questão ambiental, mas uma necessidade estratégica para garantir a segurança, a estabilidade económica e a prosperidade a longo prazo.
Fonte: pt.euronews.com

