Marco Histórico nos Tratamentos da Hepatite B
Um estudo clínico de fase 3, com mais de 1.800 participantes, apresentou resultados animadores durante o Congresso da European Association for the Study of the Liver (EASL), em Barcelona. O novo medicamento Bepirovirsen alcançou uma cura funcional em 19% dos pacientes com hepatite B crônica. Isso significa que esses indivíduos conseguiram controlar o vírus naturalmente seis meses após o término do uso do medicamento. A pesquisa, cujos resultados foram publicados no The New England Journal of Medicine, também destacou um baixo índice de efeitos adversos, majoritariamente reações locais leves.
O Que Significa Cura Funcional e o Papel do HBsAg
A cura funcional, um dos principais objetivos no tratamento da hepatite B, difere da cura completa, pois o vírus não é totalmente eliminado do organismo, mas o sistema imunológico do paciente passa a controlá-lo. Os participantes do estudo já estavam em tratamento com análogos de nucleotídeos e apresentavam níveis específicos de HBsAg, uma proteína viral. Níveis elevados de HBsAg são associados a riscos de câncer hepático e cirrose. Notavelmente, o estudo observou taxas de cura funcional ainda maiores em pacientes com menores quantidades dessa proteína. Pacientes com doença hepática avançada não foram incluídos na pesquisa.
Mudança de Paradigma e Impacto Global
Especialistas consideram esses achados um marco histórico, com potencial para mudar o paradigma no tratamento da hepatite B. A migração para a cura funcional, terapias complementares e a redução do HBsAg são vistas como os próximos passos, visando diminuir o risco de complicações graves como câncer de fígado e cirrose. A hepatite B crônica afeta cerca de 254 milhões de pessoas globalmente, sendo responsável por 1,1 milhão de mortes anuais. No Brasil, estima-se que 1 milhão de pessoas vivam com a doença, mas apenas uma fração recebe tratamento efetivo.
O Mecanismo Inovador do Bepirovirsen e Próximos Passos
O Bepirovirsen se destaca por seu mecanismo de ação duplo: além de inibir a replicação viral, ele se liga ao mRNA viral, impedindo a produção de proteínas, e parece estimular a imunidade do paciente. Diferente dos antivirais tradicionais, que focam apenas na replicação, o Bepirovirsen oferece uma abordagem mais completa. A farmacêutica GSK já iniciou o processo de aprovação regulatória do medicamento em diversos países, incluindo Japão, Estados Unidos, China, Europa e Brasil, com expectativas de aprovação a partir de agosto de 2026. Novos estudos estão em andamento para avaliar a sustentabilidade da cura funcional a longo prazo e a eficácia do medicamento em combinação com outras terapias.
Fonte: futurodasaude.com.br

