Decisão espanhola como exemplo de soberania
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou a decisão da Espanha de proibir o uso de suas bases militares e espaço aéreo para aviões de guerra americanos em direção ao Irã, durante a 1ª reunião da Mobilização Progressista Global, em Barcelona. O gesto, feito pelo primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, foi elogiado por Lula como um ato de coragem e defesa da soberania nacional.
“Ninguém precisa ter medo no mundo democrático de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite regra do jogo democrático. E o meu elogio, meu querido Pedro Sanchez, é pelo fato de você ter tido a coragem de não permitir que os aviões de guerra dos Estados Unidos não saíssem daqui para atirar no Irã”, declarou Lula.
Críticas à escalada de conflitos internacionais
O presidente brasileiro aproveitou o discurso para tecer críticas contundentes a conflitos armados recentes. Lula comparou a justificativa para a invasão do Iraque, baseada em mentiras sobre armas químicas inexistentes, com a intervenção na Líbia e o que chamou de “genocídio em Gaza”. Segundo ele, os ataques ao Líbano e os bombardeios americanos ao Irã seguem o mesmo padrão de ações militares que resultam em mortes de civis.
“Os senhores da guerra jogam bombas em mulheres e crianças, gastam em armas bilhões de dólares que poderiam ser usados para acabar com a fome, resolver o problema energético e o problema da saúde”, lamentou o presidente.
Giro europeu e articulação progressista
A fala de Lula em Barcelona faz parte de uma viagem de seis dias pela Europa, que inclui também Alemanha e Portugal. O evento, organizado pelo governo espanhol, reuniu cerca de 5.000 pessoas e tem como objetivo articular lideranças progressistas globais em defesa da democracia, do multilateralismo e da justiça social. Participaram do Fórum Democracia Sempre presidentes do México, Colômbia, Uruguai e África do Sul, além de representantes da Alemanha e do Reino Unido.
Acordos bilaterais e defesa da ONU
Na véspera do fórum, Lula e Sánchez assinaram acordos bilaterais em áreas como economia, tecnologia e política social. O tom do encontro em Barcelona foi de crítica às guerras em curso e à crise de credibilidade da ONU. Sánchez defendeu uma reforma do órgão e apoiou a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet para a Secretaria Geral em 2027, um pleito que o Brasil também busca selar durante a viagem europeia.
Fonte: www.poder360.com.br

