terça-feira, agosto 4, 2026
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Longevidade no Mercado de Trabalho: Busca por Renda e Atividade Mantêm Profissionais 60+ em Alta, Exigindo Adaptação das Empresas

Crescimento da População Idosa no Mercado de Trabalho

O Brasil presencia um fenômeno notável: a crescente inserção de profissionais com mais de 60 anos no mercado de trabalho. Este movimento, que atinge o maior índice em uma década, é impulsionado tanto pela busca por renda e complemento financeiro quanto pelo desejo de se manterem ativos e produtivos. Segundo Eliane Kreisler, da Longetalks, a longevidade está cada vez mais presente no ambiente corporativo, forçando as empresas a repensarem suas estruturas de carreira, que não são mais lineares como antigamente.

Um levantamento realizado pela Nexus, com base em dados da PNAD Contínua do IBGE, corrobora essa tendência. A pesquisa indica que mais da metade (53%) dos ocupados com mais de 60 anos atuam no mercado informal, como autônomos ou prestando consultorias sem contrato formal. Essa informalidade, muitas vezes, reflete a necessidade de garantir uma fonte de renda ou complementar o que já possuem.

Desafios e Oportunidades para o Mercado 60+

Apesar do aumento na participação dos mais velhos, o mercado brasileiro ainda não está totalmente preparado para essa nova realidade demográfica. Sérgio Serapião, fundador da Labora, alerta que o rápido envelhecimento da população exige uma aceleração na absorção desses profissionais para evitar um futuro “apagão de mão de obra”. Ele destaca que a falta de preparo das empresas pode gerar conflitos geracionais e a necessidade de adaptação dos profissionais mais velhos a culturas “jovem-cêntricas”.

Serapião também aponta que os modelos de carreira tradicionais frequentemente priorizam a mão de obra jovem e a familiaridade com tecnologia, o que pode levar a uma percepção equivocada de que os profissionais mais velhos são menos qualificados para o mercado atual. Essa visão, segundo ele, precisa ser revista para que a experiência e o conhecimento dos 60+ sejam devidamente valorizados.

Intergeracionalidade: Um Futuro de Convivência e Inovação

É um equívoco pensar que a presença de profissionais 60+ no mercado de trabalho prejudica a empregabilidade dos jovens. O levantamento demonstra que o Brasil tem um número maior de jovens desocupados do que de pessoas com mais de 60 anos trabalhando. Especialistas como Kreisler e Ronaldo Loyola, especialista em comportamento organizacional, ressaltam que são fenômenos distintos. Enquanto jovens enfrentam desafios na transição entre educação e trabalho, os idosos, com sua experiência, redes de contato e conhecimento especializado, conseguem maior permanência, mesmo diante do etarismo.

A convivência entre diferentes gerações é vista como o futuro. Kreisler defende que essa intergeracionalidade representa uma oportunidade econômica, capaz de gerar ganhos de produtividade, fortalecer equipes e impulsionar a inovação. Loyola complementa que, enquanto os jovens buscam propósito e flexibilidade, os profissionais maduros valorizam estabilidade e previsibilidade. O grande desafio para as empresas, segundo ele, é coordenar essas diferentes expectativas e necessidades para criar um ambiente de trabalho harmonioso e produtivo.

Fonte: viva.com.br

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