Pressão Internacional Crescente Contra o Plano E1
Israel enfrenta uma forte pressão de líderes europeus e do Reino Unido para suspender o controverso projeto E1 na Cisjordânia. Uma declaração conjunta emitida por França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Reino Unido, Noruega e Canadá apela a Israel para revogar imediatamente os planos de construção e cessar a expansão de colonatos na região. A medida, aprovada por Israel no ano passado, visa a construção de cerca de 3.400 habitações em uma área de 12 quilómetros quadrados a leste de Jerusalém, o que, segundo os críticos, aprofundaria a separação entre Jerusalém Oriental e o restante da Cisjordânia.
Ameaça à Solução de Dois Estados e Impacto na Economia Palestina
O secretário-geral da ONU também se manifestou, classificando o plano E1 como uma “ameaça existencial” à criação de um Estado palestiniano contíguo. O ministro dos Negócios Estrangeiros belga, Maxime Prevot, considerou os concursos habitacionais “inaceitáveis”, afirmando que o projeto “comprometeria seriamente a viabilidade da solução dos dois Estados”. A declaração conjunta destaca que, num momento de “grave instabilidade na Cisjordânia, com níveis sem precedentes de violência de colonos contra civis e sérias restrições à economia palestiniana”, a continuidade do projeto é ainda mais preocupante.
Israel Rejeita Críticas e Defende Seus Direitos
Em resposta às críticas, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Sa’ar, rejeitou categoricamente a declaração e o que chamou de “tom paternalista” das palavras do seu homólogo britânico. Sa’ar afirmou que o povo judeu tem o direito de viver em toda a Terra de Israel e acusou o Reino Unido de culpar apenas Israel, ignorando o extremismo palestiniano. Ele prometeu que Israel defenderá os seus direitos, interesses e o seu povo, considerando a decisão britânica de prejudicar a relação entre os países como “profundamente lamentável”.
Aceleração de Construção Antes das Eleições
O plano E1 prevê a construção de habitações numa faixa de terreno sensível, localizada entre Jerusalém e o colonato israelita de Maale Adumim. De acordo com a ONG israelita Peace Now, o último concurso abrange mais de 1.200 fogos habitacionais, representando cerca de um terço do desenvolvimento previsto. A organização acusou o governo israelita de tentar acelerar compromissos de construção antes das eleições marcadas para 27 de outubro, com a entrega de propostas a decorrer até 19 de outubro. A Cisjordânia, excluindo Jerusalém Oriental, abriga cerca de três milhões de palestinianos e aproximadamente 500 mil colonos israelitas, com a violência de colonos contra palestinianos tendo se intensificado desde os ataques de 7 de outubro de 2023.
Fonte: pt.euronews.com

