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Justiça homologa recuperação judicial de R$ 2 bilhões da Coteminas, dona da Artex e MMartan

Plano de Recuperação Judicial Aprovado

A Justiça de Minas Gerais homologou nesta terça-feira (5 de maio de 2026) o plano de recuperação judicial do Grupo Coteminas, empresa têxtil conhecida por suas marcas Artex, MMartan, Santista e Casa Moysés. A companhia, que acumula um passivo estimado em R$ 2 bilhões, teve seu plano de reestruturação aprovado em assembleia de credores em dezembro de 2025, após um pedido inicial feito em 2024. A decisão do juiz Murilo Silvio de Abreu encerra um período de incertezas para as nove empresas que compõem o grupo, incluindo seus braços têxtil e imobiliário, além de uma fazenda.

Superação de Obstáculos Fiscais

Um dos principais desafios para a homologação foi a regularidade fiscal da empresa. A Justiça considerou que 96,41% do passivo tributário, correspondente a R$ 848,9 milhões, foi negociado através de transações e parcelamentos em andamento com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O magistrado entendeu que a exigência de quitação integral imediata inviabilizaria a continuidade da empresa. Para débitos com o estado da Paraíba (R$ 33,5 milhões), a isenção de regularização imediata foi concedida pela falta de legislação estadual específica, amparada por jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Já em Minas Gerais, a Secretaria de Fazenda estadual autorizou a hipoteca de um imóvel da Coteminas em Montes Claros, avaliado em R$ 22,6 milhões, como garantia para a transição tributária.

Credores e Risco de Falência

Entre os maiores credores da Coteminas estão instituições financeiras como Banco Safra, Banco ABC, Banco do Brasil, além de Cemig e Louis Dreyfus Company. A defesa da empresa atribuiu a crise a dificuldades de liquidez decorrentes da pandemia de covid-19 e da alta do dólar, que impactaram significativamente a operação alavancada do grupo. Apesar da aprovação do plano, a companhia enfrenta desafios de caixa. O atraso no pagamento de honorários da Administração Judicial (entre agosto de 2025 e abril de 2026) foi registrado, e o juiz determinou o pagamento em 10 dias, alertando que a inadimplência reiterada pode levar à conversão da recuperação judicial em falência.

Conexões Políticas e Futuro da Empresa

Fundada em 1967 por José Alencar, ex-vice-presidente do Brasil, a Coteminas é atualmente controlada por seu filho, Josué Gomes da Silva. Josué, que já presidiu a Fiesp, é um empresário próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recentemente filiado ao PSB, seu nome tem sido cotado como uma possível alternativa para a disputa do governo de Minas Gerais nas eleições deste ano, diante da resistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) em se candidatar pela coalizão governista. A recuperação judicial da Coteminas representa um passo crucial para a estabilidade financeira do grupo e para o futuro de suas operações e empregos.

Fonte: www.poder360.com.br

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