Jornalistas intimidados após vídeo compartilhado por Michelle Bolsonaro
Dois jornalistas que cobriam a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro no hospital DF Star, em Brasília, registraram boletim de ocorrência após se sentirem intimidados. O caso ganhou repercussão após um vídeo gravado por uma apoiadora do ex-presidente, Cris Mourão, ser compartilhado por Michelle Bolsonaro em suas redes sociais no sábado (14.mar.2026). Na gravação, a apoiadora afirma que os jornalistas presentes desejavam a morte de Bolsonaro e comemoravam ser sexta-feira 13. As imagens, no entanto, não mostram nenhuma declaração dos profissionais que corrobore tal alegação.
Ataques e ameaças após viralização do vídeo
Após a publicação de Michelle Bolsonaro, o vídeo viralizou e os jornalistas que apareciam nas imagens tiveram suas identidades expostas. As agressões não se limitaram ao ambiente digital: duas repórteres foram reconhecidas na rua e no transporte público, sofrendo ataques presenciais. Além disso, foram produzidas montagens e vídeos com uso de inteligência artificial, incluindo simulações de violência contra as profissionais. Fotos de filhos e familiares dos jornalistas também foram utilizadas como forma de intimidação e assédio.
Repercussão e repúdio de entidades jornalísticas
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e a Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas), em conjunto com o SJPDF (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal), divulgaram notas repudiando veementemente as ameaças, a difamação e a exposição violenta dos profissionais de imprensa e de seus familiares. As entidades classificaram como inadmissível que figuras públicas e parlamentares utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra jornalistas, caracterizando os atos como um ataque à liberdade de imprensa e à democracia.
Apoiadora se defende e jornalistas buscam proteção
Em sua defesa, Cris Mourão afirmou que sua intenção não era prejudicar ninguém, mas sim defender quem luta pela nação. Ela chegou a parabenizar um dos jornalistas que aparecem no vídeo, alegando que um amigo do profissional teria informado que ele seria de direita e estaria comentando sobre a internação de Bolsonaro em decorrência da facada de 2018. Um dos jornalistas que registrou boletim de ocorrência teve o filho ameaçado, enquanto outro encerrou suas redes sociais. Um terceiro profissional privou seu Instagram e estaria estudando medidas legais com sua defesa.
Cobranças por segurança e punição
As entidades jornalísticas cobraram proteção imediata aos profissionais e lembraram que é dever do Estado garantir a segurança da imprensa em locais de interesse jornalístico. Foi solicitado à Polícia Militar que atue na proteção dos jornalistas, impedindo cerceamentos e agressões. Além disso, exigiram a apuração rigorosa das ameaças para identificar e punir os responsáveis, e pediram que as empresas de jornalismo ofereçam condições seguras de trabalho, apoio jurídico e a possibilidade de afastamento da cobertura caso os profissionais não se sintam seguros.
Fonte: www.poder360.com.br

