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Greve na USP: Alunos Antiparalisação Pressionam por Retorno às Aulas e Criticam Transparência em Votações

Divisão Interna e Pressão pelo Fim da Greve

A greve estudantil na Universidade de São Paulo (USP) enfrenta uma crescente pressão interna pelo seu encerramento. Um grupo de alunos, autodenominado antigreve, publicou um manifesto em redes sociais criticando a condução do movimento e os custos impostos pela paralisação, especialmente para estudantes que dependem de estágios e bolsas. A carta, que não possui assinaturas formais, questiona a transparência das decisões tomadas em assembleias, como o uso de votações por contraste visual, e aponta que a greve deixou de ser um instrumento eficaz de pressão.

Críticas à Gestão do Movimento e Piquetes

O coletivo antigreve alega que a paralisação foi planejada sem consultas formais adequadas e que sua continuidade tem sido decidida em processos pouco transparentes. Uma das principais críticas recai sobre os piquetes, que, segundo os autores da carta, acabam prejudicando os próprios estudantes. A falta de clareza nas deliberações e o impacto negativo na rotina acadêmica e profissional dos alunos são os eixos centrais da contestação.

Reivindicações Originais e Posicionamento do DCE

Em contrapartida, grevistas contestam as críticas. Arthur Mendonça Rodrigues, integrante da direção do DCE Livre, afirma que as reivindicações, especialmente as relacionadas ao conjunto residencial, são antigas e remontam à greve de 2023. O DCE sustenta que a maioria dos estudantes do campus Butantã é favorável à manutenção da greve, conforme decisão de 26 de maio, e que as assembleias de curso são os espaços democráticos para expressar a opinião estudantil. A entidade também destaca o apoio de professores e a possibilidade de novas paralisações de servidores técnico-administrativos como fatores que impulsionam o movimento.

Faculdade de Direito Realiza Consulta e Tende ao Fim da Greve

A diretoria da Faculdade de Direito da USP realizou uma consulta à comunidade estudantil entre os dias 28 e 29 de junho, utilizando o sistema Helios Voting. Dos 1.121 alunos participantes, 766 votaram pelo fim da paralisação, enquanto 325 optaram por mantê-la. Uma assembleia geral presencial nesta sexta-feira deve selar o provável fim da greve no Largo São Francisco. A diretora da unidade, Ana Elisa Liberatore Bechara, ressaltou que os alunos foram alertados sobre a necessidade de realizar provas e cumprir prazos acadêmicos, independentemente da reposição de aulas, e que os docentes não têm o dever jurídico de repor o conteúdo, embora estejam à disposição.

O Que Motiva a Greve Estudantil na USP?

A paralisação estudantil foi aprovada em 14 de abril, inicialmente acompanhando a mobilização dos servidores técnico-administrativos contra uma gratificação destinada apenas a professores. Enquanto os servidores encerraram seu movimento após avanços salariais, os estudantes decidiram manter a greve com o principal objetivo de obter um reajuste no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Os estudantes consideram insuficiente a proposta de reajuste da USP, que eleva o auxílio integral para R$ 912, defendendo R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista. Além disso, o movimento também levanta questões estruturais como a gestão do restaurante universitário, moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário (HU).

Fonte: viva.com.br

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