FBSP Alerta para Captura Eleitoral de Tema Sensível
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) manifestou descontentamento com a instrumentalização política da decisão do Departamento de Estado dos EUA em classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Embora reconheça a soberania dos Estados Unidos em sua legislação, o FBSP lamenta que um tema de tamanha relevância para a soberania, economia e sistema financeiro do Brasil tenha se tornado palco de disputa eleitoral.
Reações Políticas e Visões Reducionistas
A medida americana, que entra em vigor em 5 de junho, foi prontamente celebrada por diversas figuras políticas pré-candidatas à Presidência. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) associou a decisão a uma reunião com o ex-presidente Donald Trump, enquanto outros políticos como Ronaldo Caiado (PSD-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Renan Santos, do MBL, também se pronunciaram. O FBSP, em nota oficial, criticou essas manifestações, considerando-as como reflexo de “visões reducionistas e descoladas” das tarefas complexas necessárias para combater o crime organizado no Brasil.
Prioridades Brasileiras no Combate ao Crime Organizado
A entidade ressalta que as verdadeiras prioridades para o enfrentamento do crime organizado no Brasil incluem a retomada de territórios dominados por facções e a regulação de mercados e setores frequentemente utilizados por elas, como fintechs, apostas esportivas (bets) e criptoativos. O FBSP argumenta que a classificação americana, embora soberana, não deve ser apresentada como uma solução mágica para um problema intrinsecamente brasileiro.
Cooperação e Riscos de Intervenção
O Fórum reforça a longa tradição de cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos, incluindo a troca de inteligência e o combate à lavagem de dinheiro, e defende a continuidade dessa parceria. Contudo, o FBSP alerta para os riscos de saídas unilaterais de outros países, especialmente em relação a uma economia do porte da brasileira, e ecoa preocupações do Planalto sobre a possibilidade de a classificação servir de pretexto para intervenções estrangeiras. A entidade enfatiza a necessidade de ações internas coordenadas e políticas públicas de longo prazo para lidar com a complexidade do crime organizado no país.
Fonte: www.poder360.com.br

