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Fim da patente do Ozempic: O que muda para pacientes e mercado com a chegada de genéricos e novos medicamentos?

Nova era para a semaglutida no Brasil

A partir de 20 de março, a patente do Ozempic, medicamento amplamente utilizado no tratamento da diabetes tipo 2 e composto pela substância ativa semaglutida, chega ao fim no Brasil. Essa data marca o encerramento da exclusividade comercial da farmacêutica Novo Nordisk, abrindo caminho para a entrada de novas versões do medicamento no mercado. A expectativa é de um cenário de maior concorrência, com a chegada de produtos genéricos e similares, o que pode levar a uma significativa ampliação do acesso para um número maior de pacientes.

Mercado aquecido e expectativa de queda nos preços

O mercado de medicamentos à base de semaglutida no Brasil já movimenta cerca de R$ 6 a 6,5 bilhões anualmente, com projeções de alcançar até R$ 10 bilhões. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já analisa 11 pedidos de registro para novos medicamentos com a substância, sendo dois deles com processo em andamento. Essa movimentação indica um forte interesse de diversas empresas em conquistar uma fatia desse mercado promissor. Com a maior oferta, espera-se uma redução nos preços. Uma nova resolução da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabelece que o valor de medicamentos biossimilares não pode ultrapassar 80% do preço do medicamento de referência, o que, na prática, significa um desconto inicial. Além disso, para atrair consumidores, novas reduções de preço podem ser aplicadas, já que, como aponta o economista Pedro Bernardo, especialista no setor farmacêutico, “se produto original e cópia têm o mesmo preço, o consumidor vai querer sempre comprar o original”.

Ampliação do acesso e benefícios para pacientes

A queda nos preços é vista como um fator crucial para a ampliação do acesso. Sociedades médicas como a de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) destacam que pacientes poderão se beneficiar pela menor dificuldade em encontrar a medicação, pela economia direta e, possivelmente, pela inclusão do tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), mediante critérios bem estabelecidos. A chegada de versões mais acessíveis pode democratizar o acesso a tratamentos que antes eram restritos a uma parcela menor da população.

Empresas se preparam para o novo cenário

Diversas farmacêuticas brasileiras já se movimentam para lançar seus produtos. A Prati-Donaduzzi está em fase avançada de desenvolvimento e planeja submeter seu medicamento à Anvisa nos próximos meses. A Biomm, que já possui uma planta industrial para injetáveis, também submeteu seu dossiê para registro de um produto genérico de semaglutida. A Eurofarma firmou uma parceria estratégica com a Novo Nordisk para distribuição e comercialização de duas novas marcas de semaglutida injetável no Brasil, demonstrando que até mesmo a fabricante original está se adaptando ao novo cenário competitivo. A Novo Nordisk também foca no lançamento do Wegovy em comprimido, com administração oral, que está em processo de aprovação regulatória. Outras empresas como EMS também manifestaram interesse em lançar canetas injetáveis à base de semaglutida.

O futuro do mercado de semaglutida

A entrada de novos players e a potencial redução de preços podem impulsionar o mercado de GLP-1, representando um crescimento adicional significativo. Relatórios indicam que medicamentos genéricos podem aumentar as margens brutas do setor varejista. Para a Novo Nordisk, o fim da patente do Ozempic pode significar uma transição, com a marca buscando estratégias para manter a competitividade, como descontos e programas de fidelidade. O Ozempic pode se tornar um medicamento de transição para pacientes que buscam alternativas de menor custo ou novas moléculas. A dinâmica do mercado será definida pela capacidade de produção das indústrias, estratégias de precificação, logística e pela qualidade das formulações e dispositivos de aplicação, que influenciam a tolerabilidade do medicamento.

Fonte: futurodasaude.com.br

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