Sanções Abrangentes Contra o Irã
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (24/04/2026) um novo pacote de sanções direcionadas ao Irã, intensificando a campanha de pressão econômica sobre o país. A medida mais notável é o congelamento de aproximadamente US$ 344 milhões em criptomoedas, visando dificultar a movimentação de recursos pelo regime iraniano.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que o objetivo é “degradar sistematicamente a capacidade de Teerã de gerar, mover e repatriar recursos”. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) identificou e sancionou múltiplas carteiras digitais associadas ao Irã, prometendo rastrear fundos que o país tenta transferir para fora de suas fronteiras.
Rede de Transporte e Financiamento Sob Fogo
Além dos ativos digitais, o OFAC emitiu uma licença para a liquidação de transações envolvendo a refinaria chinesa Hengli Petrochemical (Dalian) Refinery, que também foi incluída nas novas restrições. A lista de nacionais especialmente designados (SDN) foi ampliada com 20 entidades e 20 embarcações suspeitas de envolvimento no transporte de petróleo bruto, derivados e gás liquefeito de petróleo (GLP) iranianos.
As empresas sancionadas estão localizadas na China, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Panamá, Ilhas Marshall e Libéria. Os navios afetados incluem petroleiros e gaseiros registrados sob bandeiras do Panamá, Barbados, Hong Kong, Comores e Vanuatu. O Banco Central do Irã também teve sua designação atualizada, com a inclusão de dois endereços de carteira digital na rede TRON supostamente ligados à instituição.
Negociações Diplomáticas em Ponto Morto
Em paralelo às sanções, os Estados Unidos buscavam um diálogo diplomático. Enviados especiais americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, estavam programados para viajar ao Paquistão no sábado (25/04/2026) para conversas com representantes iranianos. A Casa Branca afirmou que o governo iraniano solicitou o encontro presencial.
Contudo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, negou a realização de um encontro com os EUA. Segundo ele, o ministro das Relações Exteriores iraniano se reuniria com autoridades paquistanesas de alto nível para discutir o conflito, mas não haveria reunião bilateral com os americanos. A recusa iraniana foi atribuída a “exigências excessivas dos americanos nas negociações” e ao bloqueio naval imposto pelos EUA.
União Europeia Busca Protagonismo na Solução
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, destacou nesta sexta-feira que a União Europeia “não faz parte do conflito, mas fará parte da solução” no Oriente Médio. Ele defendeu um papel mais ativo do bloco nos esforços diplomáticos para encerrar a crise na região, criticando a dependência americana da Europa para a segurança do Estreito de Ormuz.
Costa ressaltou a importância de restaurar a liberdade de navegação em Ormuz, buscar um cessar-fogo estável e impedir que o Irã obtenha armas nucleares. A UE tem intensificado contatos diplomáticos com países da região e apoia uma missão defensiva multilateral, liderada pela França e Reino Unido, para garantir a navegação no estreito. O presidente europeu também alertou sobre os impactos econômicos do conflito na Europa e defendeu a aceleração da transição energética para reduzir dependências externas e reforçar a segurança energética do bloco.
Fonte: viva.com.br

