Conversas promissoras em Washington, mas com tensões crescentes
O embaixador de Israel em Washington, Daniel Leiter, expressou otimismo após um encontro de mais de duas horas com representantes libaneses, mediado pelo Secretário de Estado dos EUA. Leiter declarou que ambos os lados descobriram estar “do mesmo lado”, unidos na busca pela libertação do Líbano de uma “potência de ocupação dominada pelo Irã”, referindo-se ao Hezbollah. As conversações, que visam delinear um quadro para uma paz duradoura, foram saudadas pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, como uma “oportunidade histórica”.
Hezbollah rejeita diálogo e escala conflito
Apesar do tom positivo vindo de Israel, a perspectiva de um acordo fácil parece incerta. O Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã e que tem se envolvido em confrontos com forças israelitas no sul do Líbano, manifestou oposição às conversações e chegou a pedir seu abandono antes mesmo de começarem. Logo após o início das negociações em Washington, o grupo reivindicou o lançamento de “salvas de rockets simultâneas” contra 13 cidades no norte de Israel, em resposta a um aviso israelita sobre um possível aumento de ataques durante o período.
Contexto de guerra regional e apelos por cessar-fogo
O Líbano foi arrastado para a guerra regional em 2 de março, após o Hezbollah atacar Israel, supostamente em retaliação ao assassinato do líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei. Desde então, ataques israelitas resultaram em milhares de mortos e deslocados, apesar dos apelos internacionais por um cessar-fogo. O Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmaram que qualquer acordo de cessar-fogo entre Teerã e Washington não abrangeria o Líbano, uma posição que contrasta com declarações anteriores do mediador Paquistão. Netanyahu declarou o desejo de “desmantelamento das armas do Hezbollah” e um “verdadeiro acordo de paz que dure por gerações”.
Expectativas cautelosas e desafios na conciliação de interesses
Do lado libanês, o Presidente Joseph Aoun expressou a esperança de que as conversações em Washington resultassem em “um acordo sobre um cessar-fogo no Líbano, com o objetivo de iniciar negociações diretas entre o Líbano e Israel”. No entanto, a administração Trump insiste no desarmamento do Hezbollah, ao mesmo tempo que defende a integridade territorial e soberania do Líbano e os direitos de Israel, posições que se mostram difíceis de conciliar. Antigos oficiais da defesa israelita expressaram ceticismo, considerando que “muita imaginação e otimismo” seriam necessários para resolver as complexas questões entre os dois países em Washington, com “expectativas baixas” para um desfecho imediato.
Fonte: pt.euronews.com

