Ministro da Fazenda tenta conter incertezas em encontro com o mercado
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou de uma reunião estratégica na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, na semana passada. O objetivo principal foi amenizar as preocupações do mercado financeiro em relação a um possível futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir de 2027. Durigan procurou transmitir a mensagem de que a gestão econômica petista reconhece a importância da questão fiscal e que há uma compreensão clara sobre a necessidade de responsabilidade nesse quesito.
Promessas de rigidez fiscal e sustentabilidade fiscal
Durante o encontro, o ministro da Fazenda sinalizou a direção de um arcabouço fiscal mais rigoroso e a importância de se discutir mecanismos que garantam a sustentabilidade dessas regras ao longo dos anos. Durigan reforçou que recebeu autorização de Lula para falar em nome da equipe econômica e definir as diretrizes da política econômica, buscando conferir maior peso às suas declarações. Embora não tenham sido detalhadas medidas específicas, em virtude dos riscos associados aos gastos obrigatórios, a impressão deixada foi a de que o governo está ciente do desafio fiscal e disposto a enfrentá-lo. O ministro também refutou a ideia de controles de capital, mas indicou a retomada de discussões sobre o impacto de investimentos isentos de Imposto de Renda.
Mensagens distintas e a cautela do mercado
A visita de Durigan à Faria Lima, que incluiu passagens por BTG, Itaú e XP, buscou contraponto a declarações de Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula e ex-presidente da Petrobras. Gabrielli havia apresentado uma visão mais expansionista sobre as diretrizes econômicas, o que gerou apreensão no mercado financeiro, já cauteloso com a dificuldade do governo em promover cortes de gastos. A fala de Gabrielli sobre ampliar o financiamento do desenvolvimento via bancos públicos e elevar a carga fiscal sobre rendimentos também assustou os investidores. Em resposta, o presidente do PT, Edinho Silva, desautorizou Gabrielli, afirmando que suas posições eram individuais e que as propostas ainda estavam em construção e seriam validadas pelo partido e por Lula. Integrantes do PT têm destacado Durigan como o principal nome na construção das propostas econômicas, em conjunto com os ministros do Planejamento e da Gestão e Inovação, em uma tentativa de acalmar o mercado.
Expectativas e o futuro da economia
Apesar dos esforços de Durigan, a Faria Lima mantém uma postura de reticência. A percepção predominante entre gestores de fundos, bancos e grandes empresas é que a eleição presidencial caminha para um quarto mandato de Lula. No entanto, a dúvida que permanece é se haverá espaço político para implementar as mudanças fiscais prometidas. Enquanto o mercado espera por uma mudança relevante no controle da economia para 2030, a apresentação do plano de governo de Lula, prevista inicialmente para 15 de julho, foi adiada e pode ocorrer após a convenção nacional do PT em 2 de agosto.
Fonte: www.poder360.com.br

