segunda-feira, agosto 10, 2026
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Dimas Covas busca trazer fábrica da Sinovac ao Brasil: um desafio para a autonomia farmacêutica nacional

A busca por autonomia na produção de vacinas

Após sua experiência com a COVID-19, Dimas Covas, agora à frente da área de pesquisa e inovação da Sinovac no Brasil, expressa uma forte determinação em fortalecer a capacidade produtiva do país. Em entrevista, ele ressalta as semelhanças essenciais entre o Instituto Butantan e a Sinovac, ambas focadas em vacinas, mas com escopos estratégicos distintos. Covas vê a América Latina, e o Brasil em particular, como cruciais para a expansão global da multinacional chinesa.

O gargalo da dependência externa e a desindustrialização

O Brasil, segundo Covas, enfrenta uma dependência alarmante de produtos farmacêuticos complexos, incluindo vacinas, com mais de 90% sendo importados. Essa vulnerabilidade se agrava pela desindustrialização do país, que viu sua participação industrial no PIB cair de 30% para cerca de 10%. A dependência tende a aumentar com o avanço tecnológico, e as políticas atuais se mostram insuficientes para reverter esse quadro. O déficit comercial na área farmacêutica ultrapassa os US$ 20 bilhões anuais, evidenciando um problema crônico.

Transformar conhecimento em produto: o dilema brasileiro

Um dos maiores desafios apontados por Covas é a dificuldade em converter o vasto conhecimento científico brasileiro – o país é o 13º em publicações acadêmicas – em produtos inovadores e ativos econômicos, caindo para a 52ª posição em inovação. Ele enfatiza que a questão não reside na falta de recursos, citando o descontingenciamento do FNDCT, mas sim na aplicação estratégica desses fundos para apoiar a indústria nacional de novas tecnologias em fármacos e vacinas. Covas sugere que o Brasil se espelhe em exemplos de sucesso como China, Coreia do Sul e Japão, que há décadas investem em políticas de Estado para impulsionar seus setores farmacêuticos.

Lições da pandemia e os planos da Sinovac

Apesar do impacto da COVID-19, Covas lamenta que o Brasil não tenha aprendido o suficiente, permanecendo vulnerável a novas pandemias por falta de uma indústria consolidada de vacinas. A Sinovac, contudo, almeja ser parte da solução, com um plano de investimento de US$ 100 milhões para desenvolver capacidade tecnológica e produtiva local. O sucesso desse plano, no entanto, depende da preparação brasileira, especialmente em infraestrutura e formação de pessoal qualificado. A empresa não pretende apenas construir fábricas, mas sim plataformas tecnológicas que permitam a absorção e o desenvolvimento de novas vacinas, evitando a repetição do ciclo de dependência. O acordo com o Instituto do Paraná para a produção de vacinas contra varicela e raiva humana, com um prazo formal de dez anos, já é visto por Covas como uma oportunidade para acelerar o processo com a “velocidade chinesa”.

Desafios contínuos e o futuro da imunização

Covas também aborda a interrupção da produção da Coronavac no Brasil e a desvalorização de outras tecnologias, como a AstraZeneca e a Sputnik, em favor de vacinas importadas mais caras. Ele critica a influência dos movimentos antivacina e a “escolha de vacinas” pela população, que prejudicam as coberturas vacinais e deixam o país mais exposto a doenças controladas. Para ele, a vacinação é um ato de proteção coletiva, e a resistência a fatos científicos comprovados representa “a maior luta da humanidade: a ignorância contra a sabedoria”. Em caso de uma nova pandemia, o Brasil enfrentará dificuldades, apesar de melhorias em vigilância e distribuição, pois a capacidade de desenvolver vacinas rapidamente ainda é limitada.

Fonte: neofeed.com.br

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