O Envelhecimento Bem e Seus Obstáculos Estruturais
O direito de envelhecer bem no Brasil enfrenta barreiras significativas impostas pela desigualdade social e por tabus arraigados. Um debate recente destacou como a marginalização dos idosos, o silenciamento sobre a sexualidade na maturidade e as disparidades econômicas e de saúde impactam diretamente a qualidade de vida da população mais velha.
A Transformação Social e a Perda de Protagonismo Idoso
Historicamente, a figura do idoso detinha centralidade na política e na economia, com as matriarcas exercendo poder decisório nos lares. Contudo, as transformações urbanas do século XX, o surgimento da aposentadoria e o culto à juventude a partir dos anos 1960 levaram a um processo de marginalização. A aposentadoria, em particular, marcou um momento em que a sociedade retirou o poder e a função social dos mais velhos, em detrimento de uma lógica produtivista.
Desmistificando a Sexualidade e o Etarismo
A sexualidade na maturidade ainda é um tema envolto em tabus. Por séculos, o pudor moral silenciou discussões sobre o prazer e a realização afetiva, com mulheres de 30 anos já sendo consideradas velhas em décadas passadas. Especialistas ressaltam que a sexualidade na velhice é multifacetada, englobando afeto, desejo, autocuidado e expressão pessoal, e não se limita ao ato sexual com penetração. O etarismo, ou idadismo, manifesta-se na infantilização e na retirada da autonomia dos idosos, atitudes que precisam ser combatidas. Esse preconceito se agrava para a população LGBTQIA+ madura, que enfrenta duplo apagamento e falta de acolhimento.
Interseccionalidade: Raça, Classe e Saúde na Velhice
A experiência do envelhecimento é profundamente influenciada pela interseccionalidade de raça e classe. Mulheres negras, por exemplo, sofrem com a sobrecarga de trabalho e o acesso desigual à saúde, potencializando os impactos da menopausa e tornando o suporte a essa fase uma questão de política pública. Cerca de 21% das mulheres trabalhadoras no Brasil não têm capacidade contributiva, o que as exclui de benefícios previdenciários futuros. Além disso, parcelas significativas da população de baixa renda não alcançam a velhice em condições plenas de saúde, evidenciando discrepâncias gritantes na expectativa de vida.
Envelhecer Bem: Uma Pauta Coletiva e Política
Concluiu-se que envelhecer bem não é um privilégio individual, mas uma pauta coletiva e política. É fundamental combater as desigualdades estruturais e garantir o reconhecimento da pessoa idosa como sujeito pleno de direitos, desejos e voz ativa na sociedade. O desmonte de estruturas machistas, lgbtfóbicas e racistas é essencial para que a sociedade prospere sem deixar ninguém para trás.
Fonte: viva.com.br

