Adiamento da Votação no Conselho de Ética
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados adiou, nesta terça-feira (9 de junho de 2026), a votação de um processo que pode levar à suspensão da deputada Erika Hilton (Psol-SP). O pedido de vista conjunta, concedido pelo presidente do colegiado, Fabio Schiochet (União Brasil-SC), aos deputados Fausto Jr. (União Brasil-AM) e Chico Alencar (Psol-RJ), suspendeu o andamento da análise.
Fundamento do Processo Contra a Deputada
A investigação contra Erika Hilton foi instaurada com base em publicações realizadas pela parlamentar em seu perfil oficial na rede social X (antigo Twitter) após sua eleição como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Segundo o parecer do relator, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), a deputada teria “atacado verbalmente” parlamentares que se opuseram à sua eleição. O relator apresentou um parecer favorável à continuidade do processo, argumentando haver indícios suficientes de autoria e materialidade.
Cronograma e Reação dos Aliados
A interrupção da votação ocorreu logo após a leitura do parecer do relator. Chico Alencar questionou a data em que a deputada foi notificada sobre a leitura do parecer, que ocorreu na quarta-feira (4 de junho de 2026). Aliados de Erika Hilton criticaram o cronograma, apontando que o feriado prolongado de Corpus Christi, que paralisou as atividades legislativas entre os dias 4 e 7 de junho, reduziu o tempo útil para a articulação da defesa.
Entenda o Caso
Erika Hilton, a primeira congressista trans a comandar a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, eleita em 11 de março de 2026, tornou-se alvo de críticas e declarações transfóbicas após o anúncio. Em resposta, publicou em seu perfil no X: “Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história e também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas”. A deputada prosseguiu, dirigindo-se aos críticos: “E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”. O destaque na sílaba “Cis” na palavra “imbecis” fez referência ao termo cisgênero. O parecer do relator considerou o destaque um ato de “escárnio” e “ataque direto e intencional às mulheres cisgênero de forma coletiva”. O texto também cita a expressão “Podem espernear. Podem latir”, interpretada pelo relator como uma associação das críticas femininas à figura de “cadelas”, rebaixando-as a uma condição animal e desumanizada.
Fonte: www.poder360.com.br

