Filmes que Marcam Presença em Março
A cineasta responsável por documentários que investigaram os chocantes casos de Eloá e Nardoni, ambos de grande repercussão nacional, compartilhou suas recomendações de filmes para este mês. As indicações focam em obras que abordam temas sensíveis como violência doméstica, feminicídio e a proteção de jovens, convidando à reflexão sobre o papel da sociedade e das instituições.
‘A Melhor Mãe do Mundo’: Coragem e Poesia na Luta Contra a Violência
Um dos destaques é o filme A Melhor Mãe do Mundo (2025), dirigido por Anna Muylaert. A obra narra a jornada de Gal, uma catadora de recicláveis que, para proteger seus filhos de um relacionamento abusivo e da violência doméstica, embarca em uma fuga pela cidade de São Paulo. A cineasta ressalta a abordagem poética do filme, que transforma uma situação trágica em uma aventura de proteção emocional. “Essa mãe transforma uma fuga perigosa numa espécie de aventura, para proteger emocionalmente os filhos. Há, neste gesto, algo profundamente complexo, que revela a coragem e a delicadeza de uma mãe no enfrentamento da violência”, comenta.
‘Caso Eloá: Refém ao Vivo’: Uma Nova Perspectiva Sobre o Sequestro
Outra indicação é o documentário Caso Eloá: Refém ao Vivo (2025), dirigido por Cris Ghattas e disponível na Netflix. O filme revisita o sequestro de Eloá, ocorrido em 2008, e analisa mais de 100 horas do cativeiro, explorando como relações de controle e violência podem levar ao feminicídio. Cris Ghattas destaca a importância de Eloá como símbolo de uma jovem que buscou impor limites em uma relação abusiva. “Para mim, essa história toca num ponto muito importante: o momento em que uma jovem tenta colocar limites diante de uma relação marcada pela posse e pela violência”, afirma a diretora, que também aponta para a necessidade de maior atenção da sociedade, mídia e instituições na proteção de crianças e adolescentes.
Reflexão e Conscientização Através do Cinema
As escolhas da cineasta vão além do entretenimento, propondo um mergulho em questões sociais urgentes. Ao indicar essas produções, ela convida o público a refletir sobre a complexidade da violência contra a mulher, a força da maternidade em situações extremas e a responsabilidade coletiva na prevenção e no combate a esses crimes. Os filmes oferecem perspectivas valiosas sobre a vulnerabilidade, a coragem e o direito de dizer não, incentivando um olhar mais crítico e empático sobre a realidade brasileira.
Fonte: viva.com.br

