Renúncia em meio à crise eleitoral
O chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru, Piero Corvetto, anunciou sua renúncia nesta terça-feira (21.abr.2026). Em carta divulgada nas redes sociais, Corvetto declarou que sua saída era “necessária e inevitável” para garantir que o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 7 de junho, ocorra em um “contexto de maior confiança pública”. A decisão surge após semanas de intensas críticas e desgastes, com diversos setores políticos apontando falhas na apuração e na transparência do processo.
Apuração lenta e acusações de fraude marcam o pleito
A apuração dos votos do primeiro turno, realizado em 12 de abril, tem sido marcada por uma lentidão incomum, alimentando protestos e a oposição de diferentes grupos políticos. Até o momento, o resultado oficial que definirá os dois candidatos que disputarão o segundo turno ainda não foi divulgado. A margem estreita entre os concorrentes mais votados tem intensificado a tensão. Relatos de irregularidades em zonas eleitorais, o encontro de cédulas de votação descartadas e acusações de fraude têm travado a contagem dos votos e gerado desconfiança na população.
Corvetto se defende e aponta falhas técnicas
Piero Corvetto, que ocupava o cargo desde 2020, tem sido alvo de críticas por parte de diversas frentes políticas, que o acusam de falta de transparência e falhas no processamento das atas eleitorais. Em sua defesa, Corvetto atribuiu os contratempos a “problemas técnicos operacionais”, buscando justificar os atrasos na divulgação dos resultados. A expectativa é que o resultado final seja divulgado apenas em maio, segundo o Conselho Nacional Eleitoral peruano. Até o momento, 94% das urnas foram apuradas, mas a revisão de mais de 15.000 cédulas contestadas, correspondentes a cerca de 30% da eleição presidencial, é o principal fator que atrasa a conclusão da contagem.
Instabilidade política e presidências curtas no Peru
A atual eleição presidencial no Peru promete ser a nona troca de presidente em apenas dez anos. Desde 2016, nenhum mandatário peruano conseguiu completar o mandato de cinco anos, sendo as principais causas de afastamento a corrupção. A instabilidade política crônica do país adiciona um pano de fundo preocupante para o cenário eleitoral atual, onde a confiança no processo democrático se mostra fragilizada.
Fonte: www.poder360.com.br

