Operação Revela Esquema Bilionário com Apoio de Artistas e Influenciadores
A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira (15 de abril de 2026) uma grande operação contra uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão. Entre os detidos estão os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores digitais Raphael Sousa Oliveira e Chrys Dias. A investigação, que cumpriu 39 mandados de prisão e 45 de busca em oito estados e no Distrito Federal, teve um elemento crucial para seu avanço: a análise de dados armazenados em um backup no iCloud.
iCloud como Mapa do Crime: A Rota da Lavagem de Dinheiro
Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início a partir da análise de arquivos digitais encontrados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos em operações anteriores em 2025. Esses dados, que incluíam extratos bancários, comprovantes, diálogos, registros empresariais, contratos e documentos financeiros, funcionaram como um verdadeiro “mapa” da organização criminosa. Com base nessas informações, a PF conseguiu mapear a estrutura complexa do esquema, que envolvia plataformas de apostas não autorizadas, rifas digitais clandestinas, narcotráfico internacional e a criação de empresas fictícias.
Estrutura da Organização e Métodos de Lavagem
A apuração revelou uma organização criminosa especializada em lavagem de capitais em larga escala, operando de forma autônoma. Rodrigo de Paula Morgado foi identificado como o operador financeiro do grupo, coordenando movimentações bancárias, auxiliando na blindagem patrimonial de MC Ryan SP e realizando transações em nome de terceiros. O grupo utilizava diversas técnicas de lavagem, como fracionamento de depósitos, contas de passagem, empresas de fachada, uso de “laranjas”, holdings, triangulação de recursos, criptoativos e evasão de divisas. A organização funcionava como uma instituição financeira clandestina, com mecanismos próprios de controle e registro, reinserindo os valores lavados na economia formal.
O Papel dos MCs e Influenciadores na Divulgação e Blindagem
MC Ryan SP, apontado como líder e principal beneficiário econômico do esquema, utilizava empresas ligadas ao entretenimento para misturar receitas lícitas com os recursos obtidos de apostas ilegais e rifas digitais. Ele teria estruturado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias a familiares e terceiros para reinserir os valores na economia formal, adquirindo imóveis, veículos de luxo e joias. MC Poze do Rodo, por sua vez, aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras ligadas à circulação de recursos provenientes das atividades ilícitas. Influenciadores e páginas de grande alcance, como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, eram usados para divulgar apostas e rifas, além de atuar na promoção da imagem do grupo e em crises de reputação, recebendo valores por esses serviços.
Bens Bloqueados e Próximos Passos da Investigação
A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores que somam até R$ 1,63 bilhão, incluindo criptomoedas em diversas corretoras. Também foram autorizadas apreensões de dinheiro em espécie acima de R$ 10 mil, joias, relógios, veículos, embarcações e aeronaves. Novas apreensões de dados em nuvem, celulares, computadores e HDs também foram autorizadas. As defesas de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo afirmaram ainda não ter acesso completo aos autos do processo para se manifestarem sobre as acusações.
Fonte: www.poder360.com.br

