sexta-feira, junho 19, 2026
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Investir em Clubes de Futebol: O Índice Pelé Revela um Retorno Dez Vezes Menor Que Ações Globais

A Paixão Que Não Paga as Contas

Para milhões de torcedores, possuir uma fatia do seu clube do coração seria o ápice da devoção. Em algumas dezenas de clubes europeus, essa fantasia é uma realidade, pois suas ações são negociadas publicamente. No entanto, a pergunta que paira no ar é: vale a pena o investimento?

Índice Pelé: Um Alerta Financeiro

O “Índice Pelé”, um estudo bem-humorado, porém rigoroso da Aegon Asset Management, acompanha o desempenho de clubes de futebol europeus com ações em bolsa desde 1998. Batizado em homenagem à lenda brasileira, o índice busca responder se tratar esses clubes como investimento teria sido um bom negócio. A resposta, infelizmente, não é animadora.

Na temporada 2025/26, o índice registrou um modesto retorno de 0,4%, um desempenho pífio quando comparado aos 27% das ações globais e 17% das europeias. Olhando para trás, desde 1998, o quadro se torna ainda mais sombrio: o Índice Pelé acumulou uma perda de cerca de 11%. No mesmo período, ações globais dispararam aproximadamente 678%.

Em termos práticos, um investimento de 1.000 € em clubes de futebol há quase três décadas renderia hoje cerca de 892 €. Os mesmos 1.000 €, aplicados em um fundo de ações globais, teriam se transformado em aproximadamente 7.784 €, um ganho quase nove vezes superior.

Estrutura e Prioridades: O Cerne do Problema

Jordy Hermanns, gestor de portfólio e estrategista de investimento na Aegon Asset Management, explica que o desempenho aquém das expectativas não se deve a temporadas ruins, mas sim à própria estrutura dos clubes. Enquanto empresas de capital aberto buscam maximizar o valor para os acionistas, clubes de futebol têm como prioridade vencer jogos, marcar gols e encantar torcedores. Esses objetivos, muitas vezes, entram em conflito.

Decisões cruciais como contratações, salários e investimentos em estádios são guiadas pela busca por troféus, e não por disciplina financeira ou retorno de capital. Essa dissonância estrutural é o principal fator por trás do fraco desempenho a longo prazo, independentemente do tamanho do clube ou da força da liga em que disputa.

O Caso Juventus: Um Aviso Claro

A ascensão e queda das ações da Juventus servem como um exemplo emblemático. Em 2018, a chegada de Cristiano Ronaldo impulsionou os papéis a mais de 10 €, alimentada pela expectativa de vendas de camisas e glória europeia. Atualmente, as ações negociam abaixo de 2 €, com uma queda de 35% na temporada atual, após o clube terminar a Serie A em sexto lugar. Nem mesmo uma das transferências mais midiáticas da história do futebol garantiu ganhos duradouros para os acionistas.

A Difícil Fuga da Armadilha

Hermanns não se mostra otimista quanto a uma reversão desse quadro. Para que os clubes escapem dessa armadilha, seria necessária uma mudança radical: um foco maior em retornos financeiros, incentivos de gestão atrelados ao desempenho acionário e um equilíbrio mais sustentável entre a ambição esportiva e a disciplina financeira. Contudo, a pressão de torcedores, mídia e rivais puxa constantemente na direção oposta.

“Não se trata apenas de um problema cíclico, mas estrutural”, conclui Hermanns. Clubes de futebol podem ser instituições culturais insubstituíveis, mas raramente se mostraram bons investimentos. Quase três décadas de dados apontam para a mesma conclusão: embora inspirem fidelidade em campo, os clubes de futebol raramente recompensaram os investidores nos mercados financeiros.

Fonte: pt.euronews.com

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