EMS Apresenta Argumentos ao Cade para Justificar Compra da Medley e Evitar Concentração de Mercado
Empresa reconhece sobreposição em 40 classes terapêuticas, mas defende pulverização do mercado de genéricos e regulação de preços como barreiras à concentração excessiva de poder de mercado.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) iniciou a análise da aquisição da Medley pela EMS, em um negócio avaliado em cerca de US$ 600 milhões. A EMS, líder no mercado de medicamentos genéricos no Brasil, enviou um documento de 126 páginas ao órgão regulador detalhando seus argumentos para que a operação seja aprovada. A empresa reconhece uma sobreposição em aproximadamente 40 classes terapêuticas, mas sustenta que a estrutura do mercado brasileiro de genéricos é altamente pulverizada, impedindo a concentração excessiva de poder.
Mercado Pulverizado e Regulação como Freios à Concentração
Em sua defesa junto ao Cade, a EMS argumenta que, apesar da sobreposição de produtos em diversas classes terapêuticas, o mercado de genéricos no Brasil é composto por muitos players relevantes. A empresa cita a existência de cerca de 30 grandes grupos farmacêuticos atuando significativamente no setor, incluindo concorrentes como Eurofarma, Aché e Hypera Pharma. Além disso, a EMS destaca que a regulação de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), vinculada à Anvisa, impede qualquer tentativa de aumento discricionário de preços após a consolidação da operação. O documento enviado ao Cade enfatiza que a própria CMED possui mecanismos para conter o exercício de poder de mercado.
Tratamentos Substitutos e Mercados Sensíveis
A EMS também aponta a existência de tratamentos substitutos como um fator que dilui a concentração em classes terapêuticas específicas. Mesmo em mercados onde a participação combinada de EMS e Medley possa superar 40%, a companhia argumenta que a disponibilidade de outras opções terapêuticas nas farmácias mantém a concorrência acirrada. Exemplos citados no documento incluem medicamentos para o sistema cardiovascular, diabetes, e tratamentos para enxaqueca, como a naratriptana, onde diversas abordagens terapêuticas coexistem. Um caso específico mencionado é o da hidroxicloroquina, onde, apesar da concentração, existem alternativas de tratamento.
Investimentos de Concorrentes e Estrutura da Negociação
Para reforçar a tese de que a aquisição não alterará drasticamente o cenário competitivo, a EMS menciona os investimentos significativos que vêm sendo realizados por seus concorrentes. Cita aportes da Cimed em uma nova fábrica, o novo complexo industrial da Eurofarma e investimentos da Hypera em medicamentos oncológicos, entre outros. A negociação com a Sanofi inclui a aquisição de uma unidade fabril em Campinas (SP), direitos de propriedade intelectual e marcas da Medley, além da herança de contratos de distribuição. A EMS justifica o pedido de rito ordinário para análise, que pode se estender por até oito meses, devido à complexidade da operação.
Crescimento e Relevância do Mercado de Genéricos
O mercado de genéricos no Brasil tem apresentado um crescimento expressivo, faturando R$ 23 bilhões em 2025, o que representa 40% do total de medicamentos vendidos no país. Nos últimos cinco anos, o setor registrou um crescimento de 75%. Segundo dados da PróGenéricos, há 102 laboratórios produzindo medicamentos genéricos no Brasil, com mais de 4.600 apresentações registradas na Anvisa e a venda anual de mais de 2,5 bilhões de caixas.
Fonte: neofeed.com.br

