Desconhecimento em 2020
Na estreia do sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, em outubro de 2020, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou desconhecer o Pix. Em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, ao ser parabenizado pela implantação da ferramenta, Bolsonaro confundiu o Pix com um pacote de desburocratização voltado à aviação civil.
Um apoiador presente na ocasião explicou que se tratava de um sistema de transferências do Banco Central. Bolsonaro, então, declarou: “Não tomei conhecimento. Vou conversar esta semana com o Roberto Campos [Neto, então presidente do BC]”. Naquele mesmo dia, o BC registrou a criação de mais de 1 milhão de chaves do Pix em poucas horas.
Origem da ferramenta
O desenvolvimento do Pix teve início em 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB), sob a presidência de Ilan Goldfajn no Banco Central. A ferramenta foi lançada e passou a operar na gestão de Jair Bolsonaro, com Roberto Campos Neto à frente do BC. O cadastro de chaves começou em 5 de outubro de 2020, e o funcionamento pleno em 16 de novembro do mesmo ano.
Disputa política e ameaça dos EUA
A autoria do Pix voltou ao centro do debate político após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) publicar um documento criticando o favorecimento do sistema brasileiro em detrimento de empresas de pagamento com cartão americanas. Como retaliação, os EUA propuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
O anúncio ocorreu dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o então presidente dos EUA, Donald Trump. O petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou Flávio, sugerindo que ele teria pedido a intervenção de Trump contra o modelo brasileiro do Pix. Em resposta, Flávio Bolsonaro exibiu um cartaz afirmando que “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro” e atribuiu a possível nova tarifa à relação diplomática de Lula com os EUA.
Contraste no discurso
O episódio de 2020, onde Bolsonaro demonstrava desconhecimento sobre o Pix, contrasta fortemente com a defesa atual de seu filho, Flávio Bolsonaro, que busca creditar a autoria da ferramenta ao pai. Apesar da declaração pública em 2020, perfis oficiais de Bolsonaro nas redes sociais já haviam mencionado o Pix em fevereiro e agosto do mesmo ano.
Fonte: www.poder360.com.br

