Visa, Mastercard e Meliá Hotéis Dizem ‘Adios’ a Cuba: Sanções dos EUA Aprofundam Crise no Turismo Cubano
Gigantes de pagamentos e redes hoteleiras estrangeiras encerram operações na ilha sob pressão de novas sanções americanas, agravando a já delicada situação econômica e turística de Cuba.
Cuba enfrenta um crescente êxodo de empresas estrangeiras, intensificado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos. A partir de 6 de junho, os cartões de crédito e débito das bandeiras Visa e Mastercard deixarão de funcionar no país, após a empresa responsável pelo processamento dessas transações anunciar o encerramento de suas atividades na ilha. Essa decisão impacta diretamente a capacidade de turistas e cubanos realizarem pagamentos, adicionando mais um obstáculo à já fragilizada economia cubana.
Redes Hoteleiras Reduzem ou Encerram Operações
O setor turístico, vital para a economia cubana, é um dos mais afetados. Grandes redes hoteleiras internacionais, como a espanhola Meliá Hotels International, a também espanhola Iberostar e a canadense Blue Diamond Resorts, anunciaram a redução ou o encerramento de suas operações em Cuba. A Meliá, que operava 15 hotéis, confirmou o fim da gestão desses empreendimentos vinculados ao conglomerado estatal Gaesa. A Iberostar deixou de operar 12 de seus 18 hotéis, e a Blue Diamond Resorts retirou-se completamente após anos de atuação.
O Impacto da Ordem Executiva 14404
A Ordem Executiva 14404, assinada pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, em 1º de maio, estabeleceu sanções secundárias contra empresas estrangeiras que mantêm relações comerciais com o Gaesa (Grupo de Administração Empresarial S.A.). Este conglomerado, controlado pelas Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, é responsável por uma parcela significativa da infraestrutura turística, comercial e logística do país. O prazo para o encerramento desses vínculos foi 5 de junho, e o descumprimento pode acarretar restrições de acesso ao sistema financeiro americano, um risco considerado alto para companhias com atuação global.
Turismo em Declínio e Crise Econômica Agravada
O turismo, que por décadas foi uma das principais fontes de receita em moeda estrangeira para Cuba, tem enfrentado dificuldades crescentes. A crise econômica interna, problemas energéticos e a queda no fluxo de visitantes já vinham deteriorando o cenário. Dados oficiais indicam uma queda acentuada no número de turistas internacionais: apenas 328 mil entre janeiro e abril de 2026, uma redução de 55,8% em relação ao ano anterior. Em 2025, o país registrou cerca de 1,8 milhão de visitantes, o menor volume em mais de duas décadas (excluindo o período pandêmico).
Isolamento Crescente e Futuro Incerto
A sequência de saídas de empresas estrangeiras, somada à suspensão de rotas aéreas como a da Iberia entre Madri e Havana, sinaliza um crescente isolamento de Cuba no cenário internacional. A redução da integração com serviços e empresas globais ocorre em um momento crítico, quando a ilha busca recuperar investimentos, turistas e receitas em moeda forte. A saída de gigantes como Visa e Mastercard, juntamente com a diminuição da oferta hoteleira internacional, aprofunda a crise econômica e projeta um futuro incerto para o setor turístico cubano.
Fonte: neofeed.com.br

